Não houve a tradicional troca da guarda ontem no Palácio de Buckingham. Em vez da colorida cerimônia com os soldados reais que ocorre às 11h30 em frente da residência da rainha, formou-se uma romaria de ingleses e turistas depositando flores nos portões do palácio. O Reino Unido acordou com a notícia da morte da princesa e ficou em estado de choque durante todo o domingo. Em Londres, o clima era de incredibilidade, tristeza e revolta contra os ‘‘paparazzi’’.
As primeiras informações sobre o acidente envolvendo a princesa de Gales e o multimilionário Dodi Fayed começaram a ser publicadas ainda na madrugada, quando só se sabia que Diana estava seriamente ferida. Ás 6 horas, os principais jornais ingleses confirmavam a tragédia com a manchete: ‘‘Diana está morta’’.
Em poucas horas, as edições estavam esgotadas. Cartões postais com a foto da princesa também desapareceram das lojas de souvenirs. Centenas de pessoas formaram multidões em frente de Buckigham e de Kesington, onde Diana morava num apartamento de três andares. Tradicionalmente reservados, muitos ingleses não esconderam o choro.
A aglomeração de fãs e curiosos começava desde o metrô. O Green Park e High Street Kensigton, mais próximos dos palácios ficaram lotadas. Sinalização extra e avisos nos alto-falantes davam orientações aos passageiros de como chegar às residências.
France presseOs príncipesCharles e seus filhos Henry (esquerda) e William (direita) se dirigem à igreja vizinha ao castelo de Balmoral, na Escócia: família real se declara ‘‘profundamente afetada e perplexa’’
VigíliaA estudante Lucy Watson, de 20 anos, era uma das pessoas que estavam fazendo vigília em frente do Palácio de Buckingham. Ela deixou um buquê de flores e um ursinho de pelúcia no local. ‘‘Quando eu estava na escola elementar, Diana fez uma visita ao colégio’’, contou. ‘‘Ela era ainda muito doce’’.
A estudante não tinha dúvidas de que os ‘‘paparazzi’’ eram responsáveis pela tragédia. ‘‘Acho que eles deveriam ser punidos’’, disse. O pesquisador James Fisher, que aguardava na fila a vez de colocar flores no Palácio Kensington era da mesma opinião: ‘‘Estou muito revoltado com a maneira como ela morreu. É preciso fazer uma investigação’’.
A revolta contra os ‘‘paparazzi’’ também estava nos cartões deixados perto dos dois palácios. Entre mensagens dizendo ‘‘Diana, a rainha dos corações’’ e ‘‘Nós vamos sentir sua falta’’, outros bilhetes diziam: ‘‘Câmeras deveriam ser proibidas’’ e ‘‘A imprensa é exploradora’’.
Na porta da Harrold’s, a megaloja de departamentos do pai de Dodi, Mohamed Al Fayed, também chegaram buquês e bilhetes ao longo do dia.
As professoras Sarah Biddoe, de 22 anos, e Annie Conneie, 22 anos, que levaram flores ao local, já tinham passado pelo Palácio de Buckingham e ainda iam ao Palácio de Kensington para homenagear o casal. ‘‘Eles eram tão bonitos e jovens, é terrível que tenham morrido’’, dizia Annie, chorando.
Apesar de culparem os ‘‘paparazzi’’ pelo acidente, as duas colegas achavam que punir os fotógrafos não era suficiente. ‘‘Deveriam criar leis mais rigorosas para proteger a privacidade das pessoas, caso contrário, os tablóides não vão parar’’, disse Sarah. ‘‘Eles já estão fazendo um monte de dinheiro com essa tragédia’’.
InternetO príncipe Charles viajou à Capital francesa para acompanhar a ex-mulher em sua última viagem. Antes, havia tentado consolar os príncipes William, de 15 anos, e Henry, de 12, nascidos do casamento que começou como um conto de fadas na catedral de Wesminster, em 1981, e terminou como uma telenovela salpicada de escândalos.
O palácio de Buckingham, que mantinha relações distantes com Diana desde o divórcio, lamentou a notícia. A rainha Elizabeth II e Charles se demonstraram ‘‘profundamente afetados e perplexos’’. A rainha, seu filho, o marido (duque de Edimburgo) e os dois netos participaram de uma cerimônia religiosa na pequena igreja vizinha ao castelo escocês de Balmoral. A duquesa de York, Sarah Ferguson, de férias na Itália junto com suas duas filhas, afirmou ‘‘ter perdido uma irmã e sua melhor amiga’’.
‘‘Todos nós estamos traumatizados e de luto’’, disse o premier Tony Blair: ‘‘Diana era uma pessoa maravilhosa, carinhosa, cheia de compaixão, querida pelas pessoas em todo o mundo’’, acrescentou, destacando que seu pensamento estava com a família e os filhos da princesa.
O chefe da diplomacia britânica, Robin Cook, saudou a ‘‘grande coragem’’ de Diana, em especial em sua última campanha internacional pela proibição das minas antipessoais, campanha apoiada publicamente pelo Partido Trabalhista.
Às cerimônias oficiais se somaram a milhares de pessoas simples que foram prestar sua última homenagem à princesa, depositando flores e acendendo velas junto aos gradis dos palácios de Buckingham e Kensington - residência da princesa - mas também junto ao castelo escocês da rainha, em Holyrood. Outros demonstraram seus pesar apondo sua assinatura num livro aberto nas telas da Internet.

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