A reeleição do presidente peruano Alberto Fujimori, no domingo, foi criticada pelos governos da França, Espanha e Estados Unidos. ‘‘A França acompanha com preocupação a situação no Peru no dia seguinte do segundo turno da eleição presidencial, onde o atual presidente era o único candidato da disputa’’, disse a porta-voz da chancelaria francesa, Anne Gazeau-Secret.
Em Madri o chanceler espanhol, Josep Pique, disse que a Espanha ‘‘deplora’’ que o Peru tenha feito a votação sem ‘‘garantias de limpeza’’. A Espanha sempre pediu ‘‘transparência’’ e ‘‘garantias de limpeza’’ para que a votação permitisse a ‘‘livre disputa’’ dos candidatos, mas ‘‘lamentavelmente, não pôde ser assim’’, acrescentou Piqué. Apesar das declarações do chanceler, o governo espanhol reiterou que respeita a decisão do Júri Nacional de Eleiçães, máxima instância eleitoral do Peru.
O governo brasileiro recusou-se a comentar a vitória de Fujimori. A chancelaria brasileira limitou-se a enviar à imprensa uma nota divulgada sábado na qual dava conta da ‘‘preocupação’’ do governo brasileiro com a ‘‘evolução dos recentes fatos relacionados ao processo eleitoral peruano’’.
Um porta-voz do gabinete comentou que as autoridades estão acompanhando de perto a contagem dos votos. Mais contundente se mostrou o Partido dos Trabalhadores (PT). O deputado José Genoino considerou ‘‘ilegítima’’ a vitória de Fujimori o que, segundo ele, permitirá a ‘‘continuação da ditadura’’. Genoino criticou a atitude, ‘‘no mínimo, vacilante’’ do governo brasileiro no processo eleitoral do país vizinho.
Uma comissão de parlamentares brasileiros, que viajou ao Peru para observar o processo eleitoral, permanecerá na capital peruana até a próxima quinta-feira. A Organização de Estados Americanos (OEA) denunciou que as eleições peruanas não haviam sido ‘‘livres nem justas’’.
As eleições presidenciais de domingo no Peru não têm legitimidade e Washington as considera inválidas, afirmou nesta segunda-feira uma funcionária do departamento de Estado.
‘‘Em vista da negativa do governo do Peru de atender às recomendações dos observadores internacionais sobre a falta de tempo para testar o novo sistema instalado de apuração, não consideramos a eleição válida’’, disse a responsável do departamento de Estado que pediu anonimato. (F.P.)

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