Venezuelanos contrários ao governo de Nicolás Maduro protestam pela morte de jovem
Venezuelanos contrários ao governo de Nicolás Maduro protestam pela morte de jovem | Foto: Juan Barreto/AFP



Caracas - Vestidos de preto, com uma enorme bandeira venezuelana e flores, opositores marcharam novamente nesta quinta-feira (11) em Caracas contra o presidente Nicolás Maduro, em um clima de radicalização dos protestos que já deixaram 38 mortos em seis semanas.

"Chega de violência, nenhum morto a mais", dizia um cartaz carregado por uma jovem na manifestação realizada depois da morte, na quarta-feira (10), de Miguel Castillo, de 27 anos, atingido por um disparo de arma de fogo em uma marcha de milhares de opositores que terminou em fortes confrontos com as forças de segurança.

O governo e a oposição se responsabilizaram por esta e pelas demais mortes, em um conflito que tende a ser cada vez mais violento e que complica ainda mais a situação do país, afundado em uma crise econômica.

"Estão nos matando, mas não vamos nos cansar, vamos continuar nas ruas até que o governo caia, embora a repressão seja pior", afirmou Carlos Briceño, estudante da universidade onde se graduou o jovem morto.

O governo, por sua vez, prosseguiu nesta quinta-feira suas reuniões com diversos setores que impulsionam uma Assembleia Nacional Constituinte, convocada na semana passada por Maduro para "alcançar a paz" e "derrotar os violentos".

Desde 1º de abril há manifestações que exigem a saída do presidente, e a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) assegura que não pararão até conseguir eleições gerais.

"A Venezuela necessita de estabilidade, um novo governo, porque este não tem nada a oferecer ao povo venezuelano, exceto isso que estamos vendo: morte", assegurou o líder opositor Henrique Capriles na marcha que culminou no local onde Castillo morreu, em Las Mercedes, no leste de Caracas.

Cada vez é mais forte o choque entre os policiais que lançam bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água, e os manifestantes encapuzados que se protegem com escudos de madeira e metal, e respondem com pedras, coquetéis molotov, bombas de pintura e até excrementos.

ACUSAÇÃO
O governo venezuelano acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de financiarem e dar "apoio logístico" aos "grupos violentos" da oposição, que "facilitaram uma insurgência armada".

A chancelaria venezuelana sustentou que a "violência extrema e o vandalismo" das últimas semanas também se deve a decisões "intervencionistas" da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Ao tomar conhecimento do falecimento de Castillo, o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, condenou "a brutal repressão" e assegurou que o julgamento de civis em tribunais militares é próprio de uma "ditadura". Pelo menos 70 civis estão sendo julgados por esses tribunais, o que a oposição atribuiu a uma tentativa de desestimular as manifestações.

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