Harmonie Toros
Associated Press
De Istambul
Políticos de oposição questionaram nesta quarta-feira a exatidão do número oficial de mortos no terremoto da Turquia. As dúvidas vieram à tona depois de o número ser elevado em mais de 5 mil e em seguida ser revisado aproximadamente para os números divulgados nos últimos dias.
‘‘Esses números não convencem’’, disse Abdullah Gul, importante líder do oposicionista Partido da Virtude Islâmica.
O governo turco reduziu o número oficial de mortos no terremoto da semana passada de 17.997, divulgado na terça-feira à noite, para 12.5l4 e o de feridos, de 42.442 para 29.335.
Responsabilizado pela imprensa, o primeiro-ministro Bulent Ecevit atribuiu a falha a um funcionário de Izmit, capital da província de Kocaeli, nas margens do Mar de Mármara. ‘‘Ele aumentou de propósito o total de vítimas com a intenção de receber mais ajuda humanitária para a região’’, acusou Ecevitt. ‘‘Abrimos uma investigação.’’
O vice-governador de Kocaeli, Kemal Karadag, rebateu as críticas. ‘‘Esse trabalho não é nosso’’, destacou ele, culpando funcionários do Departamento de Saúde local, vinculado ao Ministério da Saúde.
Já o prefeito de Izmit, Sefa Sirmen, afirmou que a discrepância nos números deveu-se a um erro humano cometido por um engenheiro em informática da prefeitura e não houve nenhum outro motivo. A polícia estava interrogando o engenheiro.
‘‘Não receberemos maior ajuda pelo número de mortos, mas sim pela extensão dos prejuízos’’, declarou Sirmen.
De qualquer forma, a Organização das Nações Unidas (ONU) acredita que o total de vítimas deve crescer muito. A ONU estima entre 30 mil e 35 mil o número de desaparecidos. E lembra que o governo turco solicitou 45 mil sacos de plástico para depositar cadáveres.
Tanto o governo quanto as Forças Armadas são alvo de severas críticas da população pela lenta resposta ao clamor dos flagelados. Estimados oficialmente em 200 mil, os desabrigados enfrentam o rigor climático em barracas de lona improvisadas: chuvas torrenciais, enxurrada e lama. ‘‘Isto aqui virou um pântano’’, queixou-se Huseyin Karaoglu, que vive num acampamento com outros 300 sobreviventes.
Preocupadas com a eclosão de epidemias de tifo e outras doenças, as autoridades de Ancara determinaram imediata limpeza das áreas atingidas pelo tremor. Dezenas de tratores estão removendo entulho diante dos olhos de centenas de turcos em lágrimas que ainda esperam encontrar parentes soterreados com vida.
De acordo com a imprensa local, o primeiro-ministro Bullent Ecevit ordenou o início da remoção dos escombros nas regiões atingidas pelo terremoto. O jornal ‘‘Hurriyet’’ informou que a operação de resgate foi encerrada. ‘‘A ordem de começar a retirada dos restos dos edifícios foi dada, porém, ao mesmo tempo, as buscas por eventuais sobreviventes continuam’’, informou o jornal.
Socorristas turcos, búlgaros e alemães tentavam ontem resgatar quatro meninos, supostamente vivos, dos escombros de um prédio de apartamentos em Cinarcik. Nesse mesmo local, uma equipe salvou um garoto de quatro anos, que passou 146 horas numa saliência escura de meio metro quadrado.
Ontem, o jornal libanês ‘‘Asharq al-Awsat’’ publicou com destaque o que classificou de ‘‘misterioso desaparecimento de 14 agentes do serviço secreto israelense na Turquia’’. Segundo o diário, os israelenses chegaram dia 16 a base naval de Golcuk – um dia antes do terremoto – para participar de uma solenidade especial. A Marinha turca calculou em 484 o número de militares soterrados e mortos ali.

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