Governo turco fecha 45 jornais e 16 emissoras de TV
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quarta-feira, 27 de julho de 2016
Patrícia Campos Mello<br>Folhapress 
São Paulo - O governo turco anunciou nesta quarta (27) o fechamento de 45 jornais e 16 estações de TV do país, segundo a agência estatal Anadolu, e a Justiça local emitiu ordem de prisão contra 47 jornalistas. Entre eles está o respeitado colunista e cientista político Sahin Alpay, detido em sua casa pela manhã. Na segunda-feira, as autoridades do país já haviam anunciado a detenção de 42 jornalistas, parte dos expurgos contra suspeitos de participar da tentativa fracassada de golpe no país.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusa o clérigo Fethullah Gülen, em autoexílio nos Estados Unidos desde os anos 1990, de criar um "Estado paralelo" e instigar o golpe de Estado.
Gülen nega envolvimento.
Desde a tentativa de golpe em 15 de julho, o governo turco suspendeu ou deteve mais de 60 mil soldados, juízes, policiais, professores e jornalistas acusados de terem ligações com Gülen. Dentre esses, mais de 15 mil estão presos.
Sahin Alpay era colunista do Zaman, maior jornal do país até ser interditado em março. A publicação era ligada a Gülen. Mas Alpay era um conhecido ativista de esquerda e secular, sem ligação clara com o clérigo, e era ex-integrante do CHP, o principal partido de oposição secular.
"Essas prisões são uma caça às bruxas, uma tentativa de criminalizar opiniões críticas ao governo", disse o turco Timur Kuran, professor de economia, ciência política e estudos islâmicos da Universidade Duke. "Alpay simplesmente trabalhava em um jornal ligado ao movimento de Gülen e simpatizava com as atividades de caridade do movimento, não tem nenhuma ligação com terrorismo ou tentativa de derrubar o governo."
Alpay e os outros jornalistas foram presos pela divisão antiterrorismo do governo, acusados de "participação em organização terrorista" e "tentativa de dissolver o governo da República turca".
A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) condenou as ordens de prisão. "Criticar o governo ou trabalhar para veículos de mídia que apoiam o movimento de Gülen não é prova de envolvimento no golpe fracassado. Se as autoridades não conseguirem apresentar indícios mais concretos, serão culpadas de perseguir as pessoas por causa das opiniões delas, e isso é inaceitável", disse Johann Bihr, chefe do RSF para Europa do leste e Ásia central.


