Nova Délhi, Índia - As conversações entre o líder espiritual tibetano Dalai Lama e a China são mais cruciais do que nunca, declarou ontem o governo tibetano no exílio. Essas afirmações acontecem depois que o Diário do Povo, órgão porta-voz do Partido Comunista chinês, assinalou que a oposição no Tibete deve ser arrasada, ao mesmo tempo em que ignorava os pedidos do mundo para que ambas as partes negociem.
''A China sempre aplicou sua linha dura e soluções militares aos problemas do Tibete, medidas que nunca funcionaram'', declarou o porta-voz do governo, Thubten Samphel. ''Os chineses devem reprimir firmemente a conspiração que visa sabotar e arrasar as 'forças tibetanas separatistas''', indicou.
O governo chinês parece decidido mesmo a ignorar completamente os pedidos de diálogo com o Dalai Lama, uma semana depois dos violentos distúrbios em Lhasa, capital tibetana, e deixou bem claro ontem sua determinação de abafar o movimento.
Depois de revisar em alta, na véspera, o número de vítimas dos enfrentamentos, que passaram de 13 para 22 mortos, a China confirmou que não aliviará a pressão. O governo tibetano no exílio afirma que pelo menos 99 pessoas morreram nos distúrbios.
O relatório chinês revela ainda que 241 policiais ficaram feridos, 23 em estado grave, além de 382 civis, 58 gravemente. Os ativistas ''incendiaram sete escolas, cinco hospitais, 120 residências e 84 veículos; e saquearam 908 lojas''.
O governo chinês aumentou a pressão ao publicar anteontem as fotos das 19 pessoas mais procuradas pelos distúrbios, os piores nos últimos 20 anos. Grupos de defesa dos direitos humanos temem que as autoridades chinesas façam prisões em massa e até torturem os detidos.
A imprensa estrangeira não tem acesso liberado às notícias, enquanto os chineses insistem em um suposto restabelecimento da normalidade em Lhasa. Para tentar convencer a comunidade internacional, divulgaram fotografias de estudantes sorridentes.
O site Chinatibet.news.com exibia na capa artigo do jornal oficial do Partido Comunista regional, com um título eloquente: ''No céu do Tibete sempre brilhará o sol''.
De acordo com a agência Xinhua (Nova China), 170 pessoas estavam presas na quarta-feira à noite. Os grupos pró-tibetanos no exterior afirmam que a China prendeu mais de mil manifestantes.
Autoridades chinesas acusam o Dalai Lama de ter orquestrado as manifestações para ''sabotar'' os Jogos Olímpicos, o que o líder espiritual, exilado na Índia desde 1959, nega de modo veemente.

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