Com as notícias de assassinatos de mais de 130 pessoas no interior do país entre quinta-feira e domingo por grupos paramilitares, representantes do governo e da organização guerrilheira esquerdista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) retomaram ontem as negociações de paz. O governo apresentou às Farc uma agenda para as conversações, que inclui cessar-fogo, fim dos sequestros e respeito aos direitos humanos.
As reuniões entre as duas partes ocorrem em La Machaca, perto de San Vicente del Caguán - zona desmilitarizada ao sul da Colômbia. A delegação do governo, chefiada por Víctor Ricardo, é composta pela ex-chanceler María Emma Mejía; pelo presidente do Congresso, Fabio Valencia; e pelo governador do Departamento de Atlântico, Rodolfo Espinosa. As Farc estão representadas por três membros de sua cúpula dirigente: Luis Eduardo Devia (também conhecido como Raúl Reyes), Milton Toncel (Joaquím Gómez) e José Benito Cabrera (Fabián Ramírez).
São os seguintes os pontos da agenda governamental: - Respeito aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário, incluindo o fim dos sequestros e um cessar-fogo; - Reforma da estrutura econômica e social do país; - Reforma política e do Estado; - Desenvolvimento alternativo e substituição das culturas agrícolas (incluindo soluções para o narcotráfico); Proteção do meio ambiente; - Fortalecimento da Justiça e luta contra a corrupção; - Reforma agrária; - Luta contra o paramilitarismo; - Debate do apoio da comunidade internacional ao processo de paz; - Verificação dos instrumentos de paz.
As Farc, por sua vez, apresentaram um plano de dez itens gerais de negociação, que incluem propostas para solução política do conflito armado, reestruturação das Forças Armadas e da polícia, reforma do Congresso, desenvolvimento e modernização da economia com justiça social, impostos, exploração dos recursos minerais e energéticos, relações internacionais e narcotráfico.
Os líderes guerrilheiros exigem também do governo a desarticulação dos esquadrões paramilitares de direita - que combatem as Farc. Os grupos paramilitares são acusados de ‘‘espalhar o terror’’ pelo país, com mais de uma centena de mortes desde quinta-feira, quando teve início o processo de paz. O maior massacre ocorreu sábado na localidade de Playón de Orozco (norte colombiano), segundo o general Alfredo Salgado, diretor de operações da Polícia Nacional da Colômbia. ‘‘Ali, foram mortas a facadas pelo menos 30 pessoas e incendiaram suas casas’’, disse ele.
O general responsabilizou o grupo paramilitar direitista Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) pelo ataque à aldeia. ‘‘Aparentemente, trata-se de um ato de represália contra o ataque de 30 de dezembro executado pelas Farc a um quartel das AUC nas montanhas de Nudo Paramillo (oeste do país).’’ Domingo houve outro massacre na região de La Hormiga, na fronteira entre Colômbia e Equador, com um saldo de 20 mortos. ‘‘A maioria das vítimas era constituída por camponeses que se divertiam numa discoteca quando foram atacados e crivados de balas pelos paramilitares’’, acrescentou o chefe da polícia colombiana. Segundo ele, os paralimitares mataram também a tiros oito pessoas no município de Tolú (500 quilômetros a oeste da capital).

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