Governo quer financiar usina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Sergio Ranalli<br>Editor de fotografia 
Porto Príncipe - Nos 40 minutos sobrevoando o Haiti, Lula pôde testemunhar o que a fúria da natureza é capaz de fazer. Da ultima vez que esteve no paupérrimo país caribenho, em maio de 2008, este ainda não tinha enfrentado as violentas tempestades provocadas pelo furacão Hanna em setembro do mesmo ano e nem o sismo catastrófico de 12 de janeiro de 2010.
Agora Lula pisa em meio aos escombros, sente o cheiro da morte, escuta o choro dos órfãos, encara olhares de fome e de fúria e descobre a resiliência de um povo forjado por tragédias sociais, políticas e naturais. ''Ver com os próprios olhos é muito diferente do que ver pela televisão, a tragédia foi muito pior do que imaginava.''
Em conversa com o presidente haitiano René Préval, Lula anunciou diversas medidas, como a construção de uma usina hidrelétrica. Projetada pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) a construção deverá ficar por conta de empresas brasileiras, visto que a obra será financiada pelo governo federal.
A medida ambiciosa anunciada pelo Brasil visa proporcionar o desenvolvimento do país caribenho, já que a deficiência na geração de energia está entre os principais entraves para instalação de um parque industrial. Mesmo antes do terremoto a maior parte da capital Porto Príncipe vivia às escuras, somente as famílias mais abastadas contavam com geradores de energia. Já o represamento de água gerado pela barragem da usina vai resolver parte do problema de abastecimento do Haiti.
Lula ressaltou que o governo haitiano deve determinar quais são as
prioridades da ajuda internacional, visto que fortalecer as instituições haitianas é fundamental para a reconstrução do país. A construção de 100 cisternas, num curto prazo, em programa similar ao realizado no nordeste brasileiro, foi anunciado pelo Ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.
Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti (MINUSTAH) desde 2004 o Brasil encara seu maior desafio em terras estrangeiras. Quando as dimensões da tragédia começaram a ser propaladas o governo respondeu de forma imediata, naquele que já é o maior pacote de ajuda internacional feito pelo Brasil. Com aprovação emergencial do congresso, o planalto liberou R$ 375 milhões, para atividades de diversos ministérios que estão envolvidos com a assistência humanitária e a reconstrução do Haiti.
Acostumado a ser visto como presidente de um país em desenvolvimento, grande e rico mas repleto de problemas e gargalos estruturais. Lula, hoje, é encarado como um salvador, tentado rivalizar com os Estados Unidos o papel central na reconstrução do Haiti. O fato é que o governo e povo haitiano esperam ainda mais do Brasil, enxergando o país como a 10 economia mundial e os donos da sexta maior reserva internacional (são 241 bilhões de dólares em caixa).
* O editor da FOLHA viajou ao Haiti a convite da Presidência da República.


