Governo promete convocar eleições
Reuter
Anja Niedringhaus/AFPOposiçãoManifestantes de várias cidades da Bulgária se reuniram ontem em mais um ato anticomunista em SófiaSÓFIA - Cedendo às pressões da oposição anticomunista, o presidente do Parlamento búlgaro, Blagovest Sendov, prometeu em pronunciamento por uma emissora estatal de televisão a convocação antecipada de eleições gerais na Bulgária. A decisão foi recebida com gritos de vitória e abaixo o governo por pelo menos 20 mil pessoas que participavam de um comício da União das Forças Democráticas (UFD, de oposição) na Praça Alexander Nevski - 100 metros do edifício do Parlamento - cenário de violentas manifestações de protesto na sexta-feira e no sábado, que causaram ferimentos em 100 pessoas.
A UDF, que organiza manifestações na capital há sete dias, culpa os ex-comunistas pelos graves problemas sociais e econômicos do país. Os participantes do comício ficaram sabendo da notícia por meio da deputada conservadora, Ekaterina Nikhailova, que fazia um discurso. A luta deve continuar. Sendov não disse como nem quando o pleito será realizado, disse a deputada.
Membro do Partido Socialista Búlgaro (PSB, ex-comunista), Sendov admitiu satisfazer as exigências da oposição anticomunista algumas horas após um apelo do novo presidente eleito da Bulgária, Petar Stoyanov, que assumirá o cargo dia 22. O país necessida de mudanças imediatas, afirmou. É um dever de todos os políticos colocarem os interesses nacionais acima de tudo. Stoyanov acha que as negociações para um programa de salvação nacional passam necessariamente pela aceitação por parte do PSB da convocação de eleições gerais.
Em entrevista coletiva, os principais líderes da UFD, Ivan Kostov e Stefan Savov, culparam o ex-comunista Nikolay Dobrev, ministro do Interior e candidato ao cargo de primeiro-ministro, pelos graves incidentes da semana passada que teriam sido provocados pelas forças de segurança. Mas o primeiro-ministro demissionário, Yan Videnov, assumiu a autoria da ordem de repressão. Videnov fez isso com a clara intenção de preservar a imagem de seu sucessor na chefia do governo, acusou Savov. Segundo ele, o PSB usa de dissimulação para prolongar o máximo possível sua permanência no poder. Eles não têm intenção de convocar eleições já, mas sim no fim do ano. Por sua vez, Kostov advertiu o governo: As manifestações vão prosseguir, enquanto não houver uma data.
A concentração de ontem diante do Parlamento búlgaro contou com a participação de delegações das principáis cidades do país - Plovdic, Stara Zagora, Pazardy, Pleven e Lovech. Temendo a possibilidade de depredações, as autoridades municipais de Sófia interromperam os serviços de transportes coletivos durante boa parte do domingo. Logo pela manhã, já havia na Praça Alexander Nevski centenas de estudantes universitários, que exortavam os colegas não comparecerem às aulas. O movimento de oposição ao governo conta com o apoio de centrais sindicais, de intelectuais e artistas.





