Brasília - O assessor especial da presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que o governo poderá promover a retirada dos brasileiros que vivem na Síria, caso seja necessário.
''Nós fizemos uma operação há alguns anos de retirada de quatro mil brasileiros e sul-americanos do Líbano. Se for necessário, nós faremos'', explicou.
De acordo com Marco Aurélio Garcia, a transferência do embaixador brasileiro e dos demais funcionários da embaixada da Síria para o Líbano foi autorizada pela presidente Dilma Rousseff, após sugestão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Marco Aurélio justificou a transferência como uma ''medida de segurança'' para proteger os diplomatas brasileiros.
O assessor especial da presidência definiu a situação da Síria como ''complicada'' e disse que o caminho para retomada da normalidade não depende só da saída ditador Bashar Al Assad. ''A situação é muito mais complicada do que isso. Eles estão em guerra civil''.
Para Marco Aurélio, a melhor estratégia seria a ''negociação''. Ele descartou a hipótese de intervenção de outros países na Síria.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que a situação na Síria está se deteriorando e que o governo brasileiro está zelando pela segurança de todos. Na avaliação do ministro, a prioridade agora é trabalhar pelo ''fim da violência'' e por um ''cessar fogo''.
''A capital Damasco (está) enfrentando combates cada vez mais violentos nas ruas. Inclusive a região da embaixada do Brasil, passando a fazer parte de uma zona que começa a se transformar em zona conflagrada. Nós emitimos uma nota hoje, que é um alerta de que situação está se deteriorando. Há um grau elevador de imprevisibilidade sobre o que poderá ocorrer nos próximos dias de maneira que evitar viagem a Síria no momento seria o mais prudente'', afirmou o ministro.
Ontem, o Itamaraty informou que o governo brasileiro decidiu retirar da Síria o embaixador brasileiro, Edgard Cassiano, assim como os funcionários da embaixada. Eles foram transferidos para embaixada do Brasil em Beirute, no Líbano. A embaixada não foi fechada. Permaneceram funcionários para auxiliar brasileiros que residem no país.

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