Rio de Janeiro - Os corpos da diplomata brasileira Lys Amayo de Benedek D’Avola, 48, e de seu filho Gianluca, 10, mortos na Tailândia pelo tsunami que atingiu o Sudeste Asiático em 26 de dezembro, foram enterrados anteontem no cemitério São Francisco Xavier, no Caju (zona central), no Rio. Os caixões de mãe e filho foram sepultados no mesmo túmulo. Chorando muito, a atriz Theresa Amayo, mãe da diplomata, despediu-se de filha e neto tocando nos caixões e jogando flores.
  Para Thereza, os mais de 150 mil mortos pelo maremoto foram vítimas de um ‘‘genocídio’’. ‘‘Os países ricos, principalmente os EUA, sabiam do risco [do tsunami], e ninguém foi avisado’’, afirmou.
  Thais, 20, a outra filha de Lys Amayo, preferiu não se aproximar do túmulo. Muito abatida, mas sem chorar, ela se manteve ao lado de amigos e parentes. Thais e a avó não quiseram falar com os jornalistas no cemitério.
  Thais sobreviveu por não ter ido passear com a família pela ilha tailandesa de Phi Phi no dia 26. Ela preferiu ficar no hotel, por causa de dores no estômago. Seu padrasto e pai de Gianluca, o empresário italiano Antônio D’Ávola, ainda não foi encontrado.
  Apesar da tristeza, Theresa Amayo comemorou ter reencontrado sua neta Thais na Tailândia: ‘‘Deus foi generoso porque salvou minha neta. Foi uma forma de Deus me abençoar’’. Thais deve retornar a Milão, na Itália, onde estuda administração.
  O representante do governo brasileiro, Mauro Mendes de Azevedo, chefe do escritório de representação do Itamaraty no Rio, entregou à mãe da diplomata cartas de solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lys Amayo era primeira-secretária da embaixada brasileira na Tailândia e estava na ilha de Phi Phi em férias.
  O Itamaraty só confirma as mortes da diplomata e de seu filho. Ainda há 53 brasileiros que não fizeram contato com os parentes. O governo brasileiro anunciou que pode enviar ao Sudeste Asiático homens do Exército, caso a iniciativa seja requisitada nos próximos dias pela ONU.
  Cerca de cem homens estão prontos para embarcar para os locais atingidos pelo maremoto. Seriam três equipes da área de saúde, de engenharia e de apoio e segurança. Helicópteros também poderão ser deslocados. Segundo o governo, os auxílios no Brasil às vítimas do Sudeste Asiático atingiram 637 toneladas, entre roupas, medicamentos e alimentos.

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