LIMA - Forças policiais peruanas começaram ontem a checar a segurança em torno de uma casa próxima à embaixada, num sinal de que as negociações para o fim da crise dos reféns em Lima podem ser retomadas a qualquer momento. A casa poderia ser usada para negociações entre um representante do governo, possivelmente o ministro da Educação, Domingo Palermo, e o líder guerrilheiro Nestor Cerpa Cartolini. Um comando do grupo armado Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), liderado por Cerpa, mantém 72 reféns em cativeiro desde 17 de dezembro, quando invadiram e ocuparam a residência do embaixador japonês durante uma festa.
O maior obstáculo às negociações é a exigência dos sequestradores de que cerca de 400 integrantes do MRTA presos sejam libertados. O presidente Alberto Fujimori recusa a exigência e Cerpa não parece disposto a abrir mão dela depois de 50 dias de sequestro. O único encontro entre Palermo e Cerpa aconteceu em 28 de dezembro.
Ontem, os sequestradores voltaram a gritar palavras de ordem de dentro da embaixada em homenagem a sindicalistas mortos durante greve em uma fábrica têxtil em 1979. Depois, Cerpa arrematou a manifestação lembrando suas exigências: ‘‘Qual é o objetivo da nossa missão?’’, gritava Cerpa em um megafone. ‘‘Liberdade para os prisioneiros’’, respondiam os guerrilheiros de dentro da casa.
Voltando ao Peru depois de cinco dias de viagem ao exterior, que incluiram uma visita à Casa Branca e ao Canadá, o presidente Fujimori disse que seu governo fará todo o possível para libertar os reféns. ‘‘Nosso trabalho agora é tentar olhar cada maneira criativa possível para que os reféns mantidos injustamente sejam libertados’’, declarou o presidente ainda no aeroporto. Ele garantiu ao primeiro-ministro do Japão, durante encontro em Toronto, que retomaria conversações com os rebeldes.

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