TIRANA - O governo albanês perdeu ontem praticamente o controle do sul do país, onde duas pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas. Milhares de jovens pedindo a renúncia do presidente Sali Berisha assaltaram quartéis do Exército e da polícia e uma base da Marinha nas regiões Vlora, Sarande e Gjirokaster para roubar armas e munições. E depois incendiaram prédios públicos e saquearam lojas, supermercados e bancos. Numa tentativa desesperada de impor a ordem, o Parlamento albanês - controlado pelo Partido Democrático (de Berisha) - decretou estado de emergência por tempo indeterminado em todo o território nacional.
‘‘Vamos usar de todos os meios previstos na constituição para sufocar essa rebelião vermelha’’, prometeu Berisha em pronunciamento à nação. ‘‘A Albânia encontra-se praticamente em guerra civil’’, afirmou o deputado Sabri Godo, presidente do Partido Republicano do bloco de oposição. A crise teve início no final do ano passado com a quebra de vários bancos que captavam poupança da população, oferecendo juros tentadores de 10% ao mês. Boa parte dos 3,5 milhões de albaneses perdeu suas economias e propriedades do dia para a noite.
O governo do primeiro-ministro Aleksander Meksi foi acusado de ter favorecido os banqueiros. Sábado, após graves choques entre policiais e manifestantes na sexta-feira em Vlora (150 quilômetros ao sul da capital) que resultaram na morte de nove pessoas, Berisha demitiu Meksi e anunciou a formação de um novo gabinete nas próximas horas. Mas não conseguiu aplacar a revolta, que, segundo estimativas, deverá atingir um ponto ainda mais crítico durante o enterro das vítimas, previstos para hoje.

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