As negociações entre o governo peruano e os guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) - que mantêm 485 reféns na residência do embaixador do Japão em Lima, Morihisa Aoki - se intensificaram ontem de manhã, com os primeiros contatos entre os representantes das duas partes.
Exigindo a libertação de cerca de 500 militantes do MRTA presos pelo governo peruano e ameaçando matar todos os reféns, os rebeldes haviam encarregado na véspera os embaixadores da Alemanha e do Canadá, Heribert Woeckel e Anthony Vincent, de levar um documento com as suas reivindicações ao representante governamental.
O presidente peruano, Alberto Fujimori, designou o ministro da Educação, Domingo Palermo, representante do governo no diálogo. Inicialmente, os rebeldes exigiam a presença de Fujimori para as negociações, mas, aparentemente, acabaram aceitando a indicação de Palermo como interlocutor. A mediação da Cruz Vermelha Internacional foi aceita pelas duas partes.
Vincent e Palermo se reuniram no interior da residência durante pouco mais de 30 minutos. O embaixador canadense voltava ao local seis horas depois de ter sido liberado pelos sequestradores.
O diplomata peruano Armando Lecaros também participou da reunião com os terroristas. Após o contato, Palermo se reuniu a portas fechadas com Fujimori, a quem levou as reivindicações do MRTA. Os sequestradores querem, além da libertação dos comapanheiros presos, a garantia de transporte seguro para todo o grupo até uma ‘‘zona guerrilheira’’ na selva, medicamentos para tratar os feridos que estão na residência, a melhoria da situação penitenciária no Peru e o fim dos tribunais presididos por ‘‘juízes sem-rosto’’.
Segundo os negociadores, os contatos entre as duas partes só seriam retomados hoje pela manhã.
Japoneses presos Pelo menos 60 cidadãos japoneses, entre os quais altos executivos das principais empresas de capital japonês que atuam no Peru, são mantidos reféns pelos sequestradores.
A preocupação com a integridade desses reféns, de acordo com vários analistas internacionais, deve fazer com que o Japão pressione o governo peruano a aceitar as exigências dos sequestradores. Fujimori estaria inclinado a ordenar uma ação militar para resgatar a força os reféns que estão na residência, mas enfrenta forte oposição da comunidade internacional - que vê nessa alternativa uma operação de altíssimo risco.
Especialistas em terrorismo estimam que, ao menor sinal de concessão do governo peruano, os sequestradores se disporiam a libertar mais da metade dos reféns. Algumas pessoas liberadas pelo comando do MRTA afirmaram ontem que já não há condições sanitárias na residência para abrigar os quase 500 cativos. ‘‘Não há banheiros nem lugar para que todos possam dormir nos aposentos da casa’’, disse o embaixador Woeckel.

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