Governo Lula nega fracasso nas negociações
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Das Agências 
Acra, Gana e Bissau - O Palácio do Planalto e o Itamaraty buscaram rebater ontem a análise de que fracassaram as tentativas de negociações comerciais previstas na atual visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a países africanos. Para Lula, que ontem chegou ao Senegal, suas idas à África (conclui hoje sua quarta viagem) têm provocado inquietações no Brasil.
''Muitas vezes, quando viajamos a um país da África, as pessoas no Brasil ficam inquietas, querendo saber o que nós vendemos ou o que nós compramos'', disse o presidente, durante lançamento da Câmara de Comércio Brasil-Gana, ontem pela manhã, em Acra (capital de Gana).
A polêmica em torno dos acordos comerciais da atual viagem a países africanos (Camarões, Nigéria, Gana, Guiné-Bissau e Senegal) surgiu no início da semana com declarações desanimadas do ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), que anteontem deixou a comitiva para cumprir agenda na Espanha.
Em Camarões e, depois, na Nigéria, Furlan se disse decepcionado com o baixo número de empresários que integram a delegação presidencial e esbravejou ao saber de algumas restrições nigerianas a produtos brasileiros.
Ontem pela manhã, após conversar com o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) e ler reportagens de jornais que traziam repercussões sobre o tema, Lula improvisou em discurso para defender sua política de viagens ao exterior.
''Não é possível vender com a rapidez que alguns querem e muito menos comprar com a rapidez que alguns querem.''
À tarde, em Bissau (capital de Guiné-Bissau), o ministro Celso Amorim procurou a imprensa para fortalecer a visão do presidente sobre o tema e negar qualquer tipo de atrito ou de desarticulação com Furlan.
Para Amorim, os resultados comerciais de determinada viagem ao exterior não podem ser medidos no momento da visita, mas a médio prazo, pelo menos. ''É um objetivo equilibrar um pouco mais o comércio com a Nigéria? É. Agora, isso se consegue em dias? Não.'' E prosseguiu, falando da organização da viagem: ''Poderia ter sido melhor organizado? Olha, talvez pudesse''.


