Buenos Aires - O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, anunciou ontem que o processo de reestruturação da dívida pública obteve 76,07% de adesão dos credores privados, sobre um total de US$ 81,8 bilhões em títulos em estado de calote desde dezembro de 2001.
Esta proporção, meses atrás, teria sido considerada ''delirante'' por grande parte dos analistas financeiros em todo o planeta, desde Nova York, passando por São Paulo, até Frankfurt. A meados do ano passado, os ''gurus'' financeiros prognostivam que a adesão dificilmente passaria os 50% dos credores. O inesperado sucesso de Kirchner, afirmam os analistas, foi causado por um ''mix'' de ''dureza'' nas negociações com os credores e de ''sorte'' por uma conjuntura financeira internacional que tornou ''atraentes'' os novos bônus argentinos.
O anúncio foi realizado nesta quinta-feira no fim da tarde no histórico Salão Branco da Casa Rosada, a sede do governo. Estavam presentes o presidente Néstor Kirchner, o vice-presidente Daniel Scioli, seus principais ministros, as lideranças do Senado e da Câmara de Deputados, além do ex-presidente Raúl Alfonsín.
Diante de uma platéia constituída por la crème de la crème do empresariado e do setor financeiro argentino, Lavagna disse que ''os mercados falaram com muita claridade, aceitando a proposta realizada pelo governo argentino''. Segundo Lavagna, os dados definitivos estarão prontos daqui a alguns dias.
Os 152 títulos antigos, em estado de calote, foram substituídos por um grupo de três novos títulos, reestruturados. Os novos bônus, que terminarão de ser pagos no ano 2047 - quando o presidente Kirchner tiver 97 anos e Lavagna 105 - terão uma redução de até 66% do valor dos títulos originais.

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