O governo socialista francês vai tentar a partir de hoje conciliar duas prioridades que alguns analistas consideram inconciliáveis: sua participação na implantação da moeda única européia - cujos critérios a França ainda não preenche - e a luta contra o desemprego que penaliza mais de 12% da população do País.
A opção pela primeira, o euro, poderá fazer com que as pessoas se convençam que a segunda é menos urgente. Daí o exercício extremamente delicado que o governo do primeiro-ministro, Lionel Jospin, inicia hoje ao anunciar as medidas econômicas e financeiras que permitirão um combate simultâneo nessas duas frentes.
Os comunistas não escondem uma certa desconfiança e prometem reagir às medidas de rigor que serão comunicadas. Antes de mais nada, o governo socialista vai tornar pública a auditoria encomendada a dois magistrados independentes, para deixar bem claro à opinião pública que encontrou a situação das finanças públicas bem mais grave do que vinha sendo anunciado.
DilemaO governo, diante do dilema, parece ter optado pela forma mais clássica, isto é, um aumento de impostos que vai penalizar, principalmente, as empresas lucrativas do País - os grandes grupos. A carga tributária sobre essas empresas deverá passar para 30% a 40%, um aumento de 10%, que vai constituir, mesmo que os socialistas não admitam, um plano de austeridade.
A França já é um dos países europeus com maiores encargos tributários sobre as empresas, aumentando o custo de sua produção e tornando mais difícil a concorrência para seus produtos. A indústria automobilística é um exemplo típico. Hoje, uma das causas da crise nesse setor é a ausência de concorrência, em matéria de preços, com os países vizinhos da Europa.
Essas empresas já vêm multiplicando seus planos sociais de supressão de empregos para manter uma certa competitividade internacional. Dificilmente, com as novas obrigações tributárias, poderão inverter a tendência, mantendo seu nível de emprego ou aumentando, como esperam os socialistas que pretendem criar 700 mil novos empregos. Essa quantia é insuficiente para a redução do déficit público que atinge 3,7% do PIB, acima dos 3% previstos pelo Tratado de Maastricht para colocar o País em condições de participar da implantação da moeda única em 1999.

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