Governo italiano pode intervir na Parmalat
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2003
France Presse 
Roma - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, confirmou ontem sua ''grande preocupação'' - que já havia manifestado no sábado - com a crise da número um italiana do setor de alimentos Parmalat, que emprega 36 mil pessoas em 30 países.
''A situação é muito séria'', avaliou Berlusconi, anunciando que o governo pode intervir para tentar salvar a empresa, que já lutava contra uma dívida de seis bilhões de euros quando teve um rombo de 3,95 bilhões de euros descoberto na última sexta-feira. A notícia chegou a ser desmentida pela alta direção da empresa.
O caso está sendo classificado pelo ministro da Economia italiano, Giulio Tremonti, como a ''Enron da Europa''. O escândalo, que acontece pouco depois do fiasco de outra grande empresa do setor na Itália, a Cirio, foi deflagrado por um comunicado do Bank of America negando a autenticidade de um documento da unidade Bonlat Financing Corporation que reportava recursos de 3,950 bilhões de euros nesta entidade em 31 de dezembro de 2002.
O mercado reagiu imediatamente. A ação da Parmalat chegou a cair 66,32% a 30 cents de euro. Os papéis da empresa tiveram que ser retirados do pregão devido à esta queda e na terça-feira devem deixar de fazer parte do Mib30.
Berlusconi disse que Tremonti deve apresentar propostas para o resgate da empresa na próxima reunião de gabinete na terça-feira. ''Os investidores e a credibilidade da economia italiana estão sendo afetados por esta crise'', disse o primeiro-ministro em uma entrevista coletiva de final de ano em Roma. ''Não temos registrado problemas com empresas italiadas, nem de porte médio nem as multinacionais. Isto é raro porque a economia italiana é uma economia sólida'', disse.
''Os sistemas de controle parecem não estar funcionando. O governo vai intervir para salvar esta companhia e os empregos que ela representa e para restaurar a confiança e a reputação do país'', afirmou, acrescentando que uma investigação será instaurada para identificar os culpados da crise.
Na verdade, a investigação já começou. Um membro do novo conselho administrativo da Parmalat, formado sob a gestão de Enrico Bondi, foi neste sábado ao Palácio da Justiça de Milão (Norte) para prestar depoimento como testemunha, segundo uma fonte da Justiça.
Umberto Tracanella chegou ao tribunal no final da tarde e deve ter sido interrogado pelo procurador Francesco Greco, encarregado de recolher informações sobre a crise da número um italiana do setor de alimentos.


