Governo investiga fraude no Peru
Associated Press
De Lima
A seis dias das eleições presidenciais de domingo, o governo peruano anunciou ontem que o Supremo Tribunal Eleitoral investigará a falsificação de assinaturas em favor da candidatura do presidente Alberto Fujimori a um terceiro mandato.
O ministro da Justiça Alfredo Bustamante disse que o tribunal designará um de seus membros como instrutor encarregado de supervisionar as investigações sobre a falsificação junto ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
O também chefe de gabinete do presidente Fujimori advertiu, porém, que o mais provável é que o resultado do inquérito não esteja definido até o dia da votação. Com o anúncio de Bustamante, o governo responde a dúvidas levantadas por observadores eleitorais internacionais sobre a legitimidade das eleições do próximo domingo.
Tanto os observadores externos como a oposição interna têm criticado as manobras ilícitas de Fujimori em busca de uma segunda reeleição consecutiva. Além do questionamento sobre a validade desta segunda reeleição (os governistas dizem que se trata da primeira desde que foi estabelecida a nova Carta Magna), a oposição acusa Fujimori de utilizar na atual campanha aviões e helicópteros militares, bem como recursos econômicos do Estado.
A denúncia sobre a falsificação de assinaturas envolvendo o ONPE foi feita em fevereiro pelo jornal oposicionista El Comercio. Ontem, o jornal ampliou as acusações ao publicar denúncia de Leonel Rivera Culqui, ex-integrante do movimento governista Vamos Vizinho, de que esse grupo foi registrado com assinaturas falsificadas. Em sua denúncia, Rivera acusa ainda o candidato ao Congresso e amigo de Fujimori Absalón Vásquez de estar vinculado ao caso.
O partido de Alejandro Toledo, o mais forte concorrente do presidente Fujimori, advertiu que poderá retirar-se das eleições de domingo se não houver garantias de que haverá transparência nas urnas.
Um país com uma economia saneada e extremamente atraente para o investimento estrangeiro por representar um dos mercados mais abertos da América Latina é um dos principais êxitos exibidos por Fujimori.
Em dez anos de gestão, Fujimori reduziu a inflação de quatro dígitos (7.650% em 1990) para um algarismo (4%) em 1999, e alcançou taxas de crescimento positivas e suas reservas monetárias somaram totais históricos (10 bilhões de dólares).
As realizações de Fujimori, no entanto não repercutiram em benefício da população, e ampliaram, inclusive, as diferenças da sociedade peruana.
Uma pesquisa revela que existem grandes diferenças na população, que vão de rendas mensais acima dos US$ 3 mil para nível mais alto (4,3% dos lares) até US$ 157 no nível mais baixo (48,4% da população do país).
A taxa de desemprego, que atinge 8%, é, por exemplo, uma das principais queixas dos excluídos da relativa bonanza inspirada pelo programa de tom neoliberal de Fujimori.
Os êxitos macroeconômicos não são suficientes para satisfazer uma população que questiona o porquê de uma recessão e um desemprego tão prolongados se a economia peruana será uma das poucas latino-americanas a obter este ano níveis de crescimento.





