Cerca de 3 mil brasileiros ficaram retidos ontem, por pelo menos quatro horas, no lado paraguaio da Ponte da Amizade, em decorrência de uma decisão do governo paraguaio de fechar todas as fronteiras do país para tentar prender os assassinos do vice-presidente Luis Maria Argaña.
A decisão foi tomada pelo ministro do Interior, José Rúben Arias Mendoza. Pouco mais de uma hora após o crime, ele expediu a Resolução nº 48, ordenando que todas as forças policiais paraguaias fossem mobilizadas na operação. O trânsito nas fronteiras deveria ser suspenso imediatamente, ‘‘até nova ordem’’.
A Ponte da Amizade, vazia. Depois de liberação parcial, voltou a ser fechadaÀs 11h18 no horário de Brasília (10h18 no Paraguai), cerca de 50 soldados da Polícia Nacional, do Exército e da Marinha paraguaia, armados com fuzis e metralhadoras, bloquearam a passagem de pedestres e veículos na aduana da Ponte da Amizade, entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu - a principal ligação do país com o Brasil.
Cerca de 3 mil pessoas, segundo o Consulado do Brasil em Ciudad del Este, e dezenas de carros ficaram retidos no lado paraguaio da fronteira. No lado brasileiro, a Polícia Federal interditou a ponte por volta das 12h30, seguindo determinação do Ministério da Justiça. Normalmente congestionada nesse horário por milhares de sacoleiros e turistas, a Ponte da Amizade ficou totalmente vazia.
Alegando estar cumprindo ordens federais, os policiais não deixavam nenhuma pessoa passar em direção ao Brasil - nem mesmo mulheres grávidas, idosos e crianças. ‘‘Estamos de mãos atadas’’, disse à Folha um oficial da Marinha que não quis se identificar. Antes de tomar a decisão, o presidente paraguaio, Raúl Cubas Grau, telefonou para os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, explicando a necessidade de fechar as fronteiras.
No início da tarde, o cônsul brasileiro em Ciudad del Este, Ernesto Carvalho, ameaçou entrar com mandado de segurança na Corte Suprema do Paraguai para obter a liberação dos brasileiros retidos no lado paraguaio da Ponte da Amizade. Diante da pressão, o governo paraguaio cedeu.
Às 15 horas, quando já havia um grande congestionamento nos dois lados da ponte, as barreiras policiais foram desfeitas e as pessoas puderam cruzar a fronteira a pé. Funcionários do consulado acompanharam o movimento. Após a passagem das pessoas para o Brasil, o trânsito de veículos foi liberado. Os cerca de 500 paraguaios que estavam retidos do lado brasileiro também retornaram a seu país.
O tráfego voltou a ser interrompido às 17 horas, segundo a Polícia Federal. Até o início da noite, não havia nova previsão de reabertura. Às 19h30, já se formava um grupo de 150 pessoas no lado paraguaio da ponte e outro de 50 no lado brasileiro.

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