São Paulo - O governo de Israel anunciou ontem que vai transferir US$ 100 milhões de impostos bloqueados à Autoridade Nacional Palestina. O dinheiro vem de taxas arrecadadas na Cisjordânia e na faixa de Gaza em nome dos palestinos, que são recolhidas pelo Estado judaico.
O dinheiro foi bloqueado em novembro, em represália ao envio à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) de um pedido de reconhecimento da Palestina como Estado observador. A requisição foi aprovada pela entidade, o que irritou o governo israelense.
Segundo autoridades israelenses, o objetivo é evitar o colapso econômico da ANP, que enfrenta uma séria crise financeira que a impede de pagar os salários a seus funcionários, incluindo os membros das Forças de Segurança, que coordenam sua atividade com Israel.
Nos últimos três meses os trabalhadores públicos não receberam seu pagamento completo e, durante o ano passado, sofreram atrasos ou falta de pagamentos em várias ocasiões. Devido à situação, funcionários palestinos declararam greve de três dias, iniciada ontem, por não ter recebido o salário de novembro.
Eles também pedem o pagamento integral do salário de janeiro. No início da semana, foi a vez dos professores da Cisjordânia reivindicarem o aumento de seus pagamentos. A paralisação foi encerrada ontem, após reunião que deu início às negociações.
A arrecadação aos palestinos é definida pelo protocolo econômico dos Acordos de Oslo (1993), em que Israel é obrigado a transferir os recursos à ANP. Segundo o jornal Haaretz, o valor que Israel deve aos palestinos desde a paralisação de novembro chega a US$ 200 milhões.
Apesar da concessão do dinheiro, continuam os projetos de assentamentos, outra medida em represália à mudança de status da Palestina na ONU. Ontem, a agência de notícias palestina Ma'an informou que as autoridades israelenses entregaram ordens de despejo a toda a vila de Fuheidat, situado no território palestino ocupado de Jerusalém Oriental.

mockup