O governo filipino e rebeldes muçulmanos retomaram ontem conversações de paz apesar da ausência do negociador-chefe guerrilheiro, cujo campo foi tomado pelos militares numa escalada da ofensiva governamental.
Autoridades do governo disseram que os confrontos não iriam afetar as negociações com a Frente Moro de Libertação Islâmica desde que não haviam sido estabelecidas pré-condições para sua retomada.
Cerca de 50 pessoas, na maioria mulheres e crianças, se manifestaram na frente do hotel onde as conversações estavam sendo realizadas, carregando cartazes onde se lia ‘‘Parem a guerra’’ e ‘‘Conversa sim, Luta não’’.
Moner Bajunaid, o negociador-chefe rebelde em exercício, criticou o governo por continuar com a ofensiva enquanto negocia e disse que os rebeldes irão buscar um cessar-fogo.
O negociador do governo Edgardo Batenga pediu aos rebeldes para se unirem ao governo, ‘‘seguindo uma direção comum, porque eu sei que juntos seremos capazes de alcançar uma paz ampla, justa e duradoura’’.
Em Manila, enquanto isto, a polícia apresentou acusações formais de assassinato e tentativa de homicídio contra três altos líderes da FMLI e 26 outros supostos membros do grupo por envolvimento em recentes ataques a bomba contra dois centros comerciais. A FMLI tem negado responsabilidade nos ataques.
O porta-voz militar coronel Rafael Romero disse que dois soldados e 48 rebeldes foram mortos durante a captura do Campo de Bushra, a principal área de treinamento da guerrilha.
A frente havia se retirado das negociações de paz no mês passado depois que os militares intensificaram a ofensiva governamental atacando centenas de rebeldes que controlavam uma rodovia nas proximidades do principal acampamento da FMLI e extorquiam dinheiro dos motoristas.
A FMLI recuou suas forças e disse que iria retomar as negociações de paz. Entretanto, tropas governamentais continuaram com a luta e planejam capturar todos os acampamentos rebeldes, exceto o quartel-general rebelde, o Campo de Abubakar, na província de Maguindanao.
A FMLI é o maior de dois grupos rebeldes lutando por um Estado islâmico independente para a minoria muçulmana das Filipinas. O grupo menor, Abu Sayyaf, mantém 21 reféns na ilha sulista de Jolo.

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