Governo e oposição tentam acordo na Bolívia
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sábado, 13 de setembro de 2008
Folhapress 
São Paulo - O governo da Bolívia e o governador de Tarija, Mario Cossío, líder da oposição, concordaram, em reunião que se estendeu até a madrugada de ontem, em dar continuidade ao diálogo na tentativa de pacificar o país. Um novo encontro deve ocorrer hoje, em La Paz, desta vez com a possível participação do presidente Evo Morales.
Na reunião, Cossío e o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, concordaram quanto à necessidade de alcançar um acordo que permita a recondução da crise. ''Concordamos na necessidade de pacificação do país e em acabar com a violência'', afirmou Cossío à imprensa depois de quase sete horas de reunião na sede do governo de La Paz.
''Cumprimos o primeiro objetivo que era instalar a abertura do que espera-se transformar em um processo sustentado de diálogo, em um pacto nacional que nos permita solucionar os problemas em um cenário de reconciliação nacional'', disse Cossío aos jornalistas.
As bases do diálogo entre governo e seus opositores autonomistas seriam, segundo Cossío, a receita petrolífera do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos (IDH), cuja devolução é reivindicada pelos departamentos, a nova Constituição do país e os estatutos autônomos defendidos por Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija.
Os choques entre grupos civis opositores e partidários do presidente Evo Morales deixaram ao menos nove mortos e afetaram o envio de gás ao Brasil e Argentina. Cinco dos nove departamentos (Estados) da Bolívia iniciaram na segunda-feira a terceira semana de protestos contra Morales. Estradas foram bloqueadas, escritórios estatais tomados e as fronteiras com Brasil, Argentina e Paraguai foram fechadas.
Anteontem, o governo da Bolívia decretou estado de sítio no departamento de Pando (norte), um dos nove do país, diante da ''violência'' na região e de ''um crescente número de vítimas''. Ao menos nove pessoas morreram nos confrontos - a imprensa regional fala em ao menos 11 mortos e informações extra-oficiais falam em até 15 vítimas.


