Governo e guerrilha
retomam negociações
Associated Presse
De Bogotá
France PresseMultidões vestidas de branco com faixas verdes, cor da esperança, marcharam pelas principais cidades colombianas pedindo pazEm meio a uma jornada nacional de protesto contra a violência e atentados a bomba, o governo colombiano e a organização guerrilheira Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) retomaram ontem conversações de paz para pôr fim a 35 anos de guerra civil.
As negociações estão sendo realizadas na pequena cidade de Uribe (165 quilômetros ao sul da capital colombiana), em clima de ceticismo. As partes debatem uma ambiciosa pauta de 12 pontos, que inclui, entre outros temas, direitos humanos, política econômica e reforma das Forças Armadas.
‘‘As expectativas são tão baixas que qualquer coisa que saia dessa mesa será lucro’’, comentou o analista político e ex-conselheiro de segurança nacional Armando Borrero. ‘‘Estou, porém, convencido de uma coisa: não interessa às partes voltar a interromper o diálogo.’’
As primeiras tentativas de um acordo, ocorridas em 1991 e 1992 na Venezuela, fracassaram. Naquela altura, o Estado colombiano apresentava maior vitalidade. Segundo pesquisa de opinião divulgada hoje, 77% dos colombianos não acreditam nas intenções das Farc, enquanto 65% acham que o processo de paz marcha por um mau caminho. Cinquenta e dois por cento não acreditam que o Exército colombiano possa vencer o movimento rebelde, que têm 15 mil homens bem disciplinados em armas. As Farc são o mais antigo grupo guerrilheiro ativo do continente.
Uribe, sede do encontro, localiza-se na chamada ‘‘zona de distensão’’ – área sem nenhuma presença militar que abrange cinco municípios colombianos. A medida foi decretada pelo presidente Andrés Pastrana, que atendeu a uma exigência das Farc para criação de uma ‘‘área de livre trânsito’’ para seus representantes.
Para comemorar, a retomada das conversações a Prefeitura de Uribe embandeirou a cidade e ofereceu um grande almoço de confraternização. Um avião procedente de Bogotá desembarcou quatro toneladas de comida no aeroporto local.
Pouco antes do início das negociações, dezenas de milhares de colombianos, vestidos de branco e carregando cartazes, concentravam- se em ruas de Bogotá, Medellín, Cali e Cartagena. Atendiam a uma convocação dos organizadores da campanha ‘‘Não Mais’’, que pedem o fim dos atentados a bomba, dos sequestros e a decretação imediata de um cessar-fogo.
Quanto à trégua, as Farc deixaram claro que ela só será efetivada quando houver acordo em pelo menos 50% dos 12 pontos da pauta de negociação.
A organização guerrilheira não assumiu a autoria de três atentados a bomba em Medellín, contra um banco e prédios da Prefeitura. Em nenhum deles houve vítimas, mas os danos foram grandes.

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