Arquivo FolhaSob suspeitaO premiê Benjamin NetanyahuJERUSALÉM - Em dez meses no poder, o governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu foi sacudido por uma série de ‘‘escândalos’’, entre os quais, o mais grave, o chamado ‘‘Bibigate’’, ameaçava ontem a sobrevivência de sua administração.
Antes da formação de seu gabinete, em 18 de junho passado, o promotor geral da época, Michael Ben Yair, deu seu veto à nomeação do chefe do partido de extrema-direita Tzomet, Raphael Eytan, como ministro da Segurança Interior.
Eytan, ex-chefe do Estado Maior do exército, teve de conformar-se com a pasta da Agricultura e Meio Ambiente. A polícia suspeitava que, em 1992, ele havia utilizado documentos militares para excluir um militante de seu partido. Foi inocentado posteriormente.
Em seguida, foi o ministro da Justiça, Yaakov Néeman, que teve de renunciar um mês depois de formado o governo. Existiam sobre ele suspeitas de falso testemunho, obstáculos à justiça e suborno de testemunhas, e um processo que implicava um responsável de maioria parlamentar, Arie Déri, o próprio perseguido judicialmente por malversão e prevaricação. O processo de Néeman se iniciou no final de 1996.
Em novembro passado, o deputado-prefeito do Likud de Jerusalém, Ehud Olmert, ligado a Netanyahu, foi acusado de falsificação de faturas durante a campanha eleitoral do Likud, em 1988. Olmert era, então, tesoureiro do partido. Seu processo está em andamento.
Em meados de janeiro, a televisão fez explodir o ‘‘Bibigate’’, ao revelar que Déri, chefe do partido ultra-ortodoxo Shass, havia pressionado o governo para nomear um promotor geral capaz de ajudá-lo a livrar-se das acusações que pesavam contra sua pessoa.
O procurador geral designado então, Roni Bar-On, um desconhecido advogado de Jerusalém e militante do Likud, renunciou no mesmo dia em que entrou em função, ante a amplitude dos protestos.
Por último, no final de janeiro, a polícia começou uma investigação contra o diretor geral da presidência do Conselho, Avigdor Lieberman, o mais próximo colaborador de Netanyahu. Suspeita-se que tenha falsificado informes sobre a gestão da televisão pública. A justiça, desde então, desistiu de demandar Lieberman em função desse escândalo.

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