Governo do Sri Lanka rejeita cessar-fogo de rebeldes tâmeis
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domingo, 17 de maio de 2009
Folhapress 
São Paulo - O governo do Sri Lanka rejeitou a proposta de cessar-fogo do grupo rebelde Tigres de Libertação do Tâmil Eelam e continuará a ofensiva para eliminar o grupo, segundo fontes militares do país. Os Tigres Tâmeis anunciaram ontem que decidiram ''silenciar suas armas'' após o Exército ter cercado o último reduto da guerrilha.
Segundo o governo, não há motivos para cessar os ataques, uma vez que, segundo eles, os milhares de civis que moram na região de conflito já não estão mais lá e ainda há pequenos grupos rebeldes isolados que seguem lutando. Como a guerra civil parece estar muito próxima de acabar, os cingaleses começaram a tomar as ruas para comemorar. O presidente do país, Mahinda Rajapaksa, marcou uma coletiva de imprensa no Parlamento para hoje, e espera-se que ele anuncie o fim da guerra.
Porém, um motivo para não encerrar a guerra imediatamente é que ainda é obscuro o destino dos principais comandantes dos Tigres Tâmeis, incluindo o principal deles, Velupillai Prabhakaran. Há dois boatos sobre o seu destino. A primeira é que ele estaria entre os 70 rebeldes mortos pelas tropas governamentais sábado à noite, quando tentavam fugir da zona de conflito usando botes. A segunda é que seria um dos rebeldes encontrados mortos ontem, que aparentemente cometeram suicídio ao serem encurralados.
Selvarasa Pathmanathan, um porta-voz dos rebeldes, informou através de um comunicado postado no site pró-rebeldes Tamilnet.com que os Tigres Tâmeis iriam ''silenciar armas'' para que o governo cingalês não tivesse mais motivos para atacar tâmeis civis.
''Essa batalha tem chegado a um final amargo'', disse. ''É o nosso povo que agora está morrendo com bombas, doenças e fome. Nós não podemos permitir que mais algum dano ocorra com eles. Nós continuamos com apenas uma escolha - para eliminar a última fraca desculpa do inimigo para matar nosso povo. Nós decidimos silenciar nossas armas.''
Os Tigres Tâmeis lutam para criar um território independente para a minoria étnica tâmil, que sofreu discriminação nos sucessivos governos da maioria cingalesa. No passado, os rebeldes chegaram a controlar uma parte do norte e do leste do Sri Lanka e a formar forças próprias, uma significativa frota naval e uma ínfima frota aérea. Em janeiro deste ano, o governo do Sri Lanka decidiu iniciar a sua ''ofensiva final'' contra a guerrilha.
Desde janeiro, conforme a ONU, cerca de 6.500 civis foram mortos na zona de guerra, à qual apenas a Cruz Vermelha tem acesso. Na quinta-feira passada, a Cruz Vermelha afirmou que o Sri Lanka passa por uma ''catástrofe humanitária imaginável'' e que a população ''estava abandonada à própria sorte.''


