Associated Press
De Teerã
O governo iraniano anunciou ontem que ‘‘restaurou a ordem’’ no país, está trabalhando para identificar os responsáveis pelos seis dias de protestos estudantis contra o aiatolá Ali Khamenei e pode condená-los à morte. - ‘‘Aqueles envolvidos nos distúrbios dos últimos dias, na destruição de propriedade pública e nos ataques contra o sistema serão punidos como moharebs (os que combatem Deus) e mofseds (os que espalham a corrupção)’’, afirmou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Hassan Rowhani, a 100 mil manifestantes pró-regime em Teerã. Pela lei islâmica, os crimes mencionados por ele geralmente são punidos com a execução.
Depois de promover os piores protestos desde a Revolução Islâmica de 1979 - os quais chegaram a alcançar pelo menos oito cidades e a reunir, domingo, 20 mil jovens em Teerã -, os estudantes, diante da falta de apoio do presidente moderado Mohammad Khatami, suspenderam ontem seu movimento.
Uma das exigências dos estudantes era a prisão e julgamento do chefe da polícia nacional, o general Hedayat Lotfian, por causa do invasão da universidade. Dois oficiais do aparato de segurança foram afastados e indiciados, mas não há sinal de que Lotfian vá ser punido. A palavra ‘‘punição’’ foi usada ontem pelo governo apenas para se referir aos responsáveis pelos protestos estudantis.
‘‘Os corpos de inteligência e segurança estão realizando esforços generalizados para identificar os principais elementos por trás dos distúrbios’’, afirmou o ministro do Interior, o linha-dura Abdolvahed Mousavi-Lari, depois de anunicar que ‘‘a crise foi totalmente controlada’’. Ele disse que vários suspeitos já foram detidos, e advertiu: ‘‘A polícia e a inteligência estão em total prontidão para enfrentar com firmeza qualquer desordem.’’
Policiais, vigilantes islâmicos do grupo radical Ansar-e Hizbollah (Partido de Deus) e voluntários da força paramilitar Basiji patrulham ostensivamente as ruas de Teerã desde a noite de anteontem, quando assumiram o controle da área em torno da universidade, encerrando um dia de batalhas campais com os estudantes. Na ocasião, várias pessoas foram detidas. Entre elas estão, segundo fontes da oposição exiladas em Bruxelas, três dirigentes do oposicionista Partido do Povo.
O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo nacional que representa a linha dura do governo, tem tentado desviar a culpa dos protestos liderados pelos estudantes até para os Estados Unidos, ‘‘vilões e inimigos do Isl㒒. O governo norte-americano rebateu ontem essas acusações, classificando-as como ‘‘tolices absolutas’’. ‘‘Não interferimos em assuntos internos do Irã. Essa afirmação simplesmente não é correta’’, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin. Ele acrescentou que os Estados Unidos têm somente ‘‘conhecimento direto limitado’’ da situação no Irã. Rubin disse ainda que no país ‘‘estão ocorrendo demonstrações significativas que representam o desejo de mudança política das gerações mais jovens, que querem justiça e liberdade de expressão’’.Depois de promover os maiores protestos desde a Revolução Islâmica de 1979, os estudantes suspendem movimento por democracia
France PresseIntolerânciaGoverno islâmico conseguiu reunir cerca de 100 mil pessoas ontem nas ruas de Teerã em manifestação de apoio ao regime

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