Governo do Egito cria comissão para reformas
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quarta-feira, 09 de fevereiro de 2011
Folhapress 
São Paulo - O ditador do Egito, Hosni Mubarak, anunciou ontem a criação de uma comissão para reformar a Constituição, em um novo passo para tentar apaziguar os grandes protestos que sacodem o país.
Os organizadores das manifestações, no entanto, tentam manter viva a mobilização e milhares de pessoas permaneceram reunidas na Praça Tahrir, no Cairo, centro nervoso da rebelião, com o objetivo de obter a renúncia de Mubarak. Milhares de pessoas voltaram a dormir na praça, muitas delas próximas dos tanques mobilizados no local.
Mas Mubarak, de 82 anos, há três décadas no poder, se limitou a reestruturar o gabinete e oferecer algumas reformas, descartando a renúncia antes da eleição presidencial de setembro, da qual prometeu não participar.
O vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, afirmou ontem que o Egito tem um plano e um cronograma para a transferência pacífica de poder, acrescentando que o governo não perseguirá manifestantes que pediram a queda de Mubarak.
''O presidente recebeu bem o consenso nacional, confirmando que estamos colocando nossos pés no caminho certo para sairmos da crise atual'', disse Suleiman, após encontro com Mubarak. ''Um mapa claro foi estabelecido com um cronograma para realizar a transferência pacífica e organizada de poder'', disse ele.
Suleiman afirmou ainda que Mubarak criou uma comissão para reformar a Constituição, outra das promessas feitas pelo governo para aplacar os protestos pela queda de Mubarak.
Mubarak criou também um comitê separado que vai monitorar a implementação das reformas propostas. Os dois comitês começariam a trabalhar imediatamente, mas Suleiman não detalhou quem fará parte deles e como serão escolhidos.
O governo prometeu várias concessões desde que a revolta começou há duas semanas, mas até agora elas têm ficado aquém das reivindicações dos manifestantes.


