São Paulo - A Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima Daiichi, informou ontem que detectou plutônio em cinco pontos do solo do complexo. A operadora afirmou que o plutônio teria sido liberado do combustível nuclear da usina, danificada pelo terremoto e posterior tsunami de 11 de março.
A empresa não deu mais detalhes sobre o vazamento, mas o único reator que contém combustível misto de urânio e plutônio é o número 3. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já havia alertado para uma fissura na câmera de contenção deste reator, que nos últimos dias emitiu, de maneira intermitente, fumaça - um indicador de que a pressão continua alta.
A Tepco encontrou três tipos diferentes de plutônio no solo. Mais cedo, informou que detectou água com altos níveis de radiação em túneis subterrâneos fora do reator 2, o primeiro indício de um vazamento do tipo desde a crise nuclear.
O vazamento foi detectado em um túnel que rodeia o reator número 2. Segundo a Tepco, a água continha concentrações radioativas de mais de mil milisievert por hora. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA diz que uma única dose de 1.000 millisieverts é suficiente para causar hemorragia.
Esse nível é similar ao detectado este fim de semana em uma região alagada no interior do prédio de turbinas da unidade 2, que obrigou a interromper o trabalho dos operários.
Uma das entradas do túnel subterrâneo está localizada a apenas 55 metros do mar. A Tepco afirmou que não há indícios de que a água contaminada tivesse chegado ao mar, mas que não pode descartar uma contaminação do solo.
Os técnicos em Fukushima já haviam liberado vapor com radioatividade para conter o aumento da pressão nos reatores e evitar uma explosão, mas esta é a primeira vez que se fala em vazamento de água radioativa -o que aumenta o risco de uma contaminação ambiental. Até então, água com alto teor de radiação havia sido encontrada somente dentro dos edifícios dos reatores.

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