Governo de Israel vive crise política
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de outubro de 2001
Charly Wegman<br> France Presse<br> De Jerusalém 
A retirada israelense, ontem, de dois bairros de Hebron causou uma crise no governo de união nacional, com dois partidos de extrema direita anunciando sua saída do gabinete. No momento da retirada, o ativista do movimento radical islâmico Hamas Ahmad Marchud, 34, morreu em uma explosão em Nablus (Norte da Cisjordânia), atribuída pelo movimento a Israel, que retomou, aparentemente, a prática de ''eliminação seletiva'' de ativistas palestinos.
Os partidos de extrema direita de idioma russo Israel Beitenu (4 deputados) e União Nacional (outros 4), dirigidos respectivamente pelos ministros de Infra-Estrutura (Avigdor Lieberman) e Turismo (Rehavam Zeevi), que se opõem à retirada, anunciaram em entrevista coletiva à imprensa sua intenção de abandonar o governo de união nacional, formado em março. ''Rejeitamos as tentativas de retomar o processo de Oslo'', iniciado em 1993, declarou Lieberman. ''Yasser Arafat não é um sócio para a paz'', acrescentou Zeevi.
Por outro lado, a oposição sem precedentes do chefe do Estado Maior israelense, general Shaul Mofaz, à retirada militar de dois bairros da cidade palestina de Hebron, provocou um escândalo em Israel, ilustrando o papel onipresente do Exército no seio da democracia israelense.
O ministro israelense de Segurança Interior, Uzi Landau, do mesmo partido de Sharon (Likud), lamentou ontem que ''Sharon adote a postura de Shimon Peres'', o ministro trabalhista das Relações Exteriores.


