O governo de Israel matou ontem um membro do grupo extremista islâmico Hamas, retomando sua política de assassinato de suspeitos de terrorismo. A ação provocou protestos palestinos, e o Hamas prometeu vingar-se.
Abdel Rahman Hamad, 35 anos, foi morto ontem com vários tiros disparados por atiradores de elite israelenses quando o militante estava na laje de sua casa, em Qalqilya, no norte da Cisjordânia, perto da fronteira com Israel.
''Hoje, após muitos esforços, conseguimos eliminar o responsável pelo envio do terrorista suicida que assassinou 21 jovens'', disse o premiê Ariel Sharon à rádio pública israelense, em referência ao atentado de 1º de junho, em Tel Aviv. Segundo Sharon, o militante ''não era o primeiro nem o último'' a ser morto.
''Israel pagará um alto preço por esse ato'', disse Abdel Aziz al-Rantissi, membro da cúpula do Hamas. ''Responderemos de forma dolorosa.'' Milhares de palestinos participaram dos funerais de Hamad, em Qalqilya. O negociador palestino Saeb Erekat disse que a operação ''reflete a determinação do premiê israelense de sabotar qualquer esforço'' palestino para um cessar-fogo
Para conter a nova Intifada (levante iniciado em 28 de setembro do ano passado) e os atentados, Israel implantou uma política de eliminação seletiva de suspeitos de terrorismo. De acordo com os palestinos, mais de 50 foram mortos nessa operação.
A prática, repudiada pela comunidade internacional e defendia pelo governo israelense como ''exercício da legítima defesa'', havia sido suspensa em razão de novas iniciativas diplomáticas com os palestinos, sobretudo o cessar-fogo firmado em setembro pelo chanceler Shimon Peres e pelo líder palestino Iasser Arafat. A trégua foi abandonado pelo governo isralense, contudo, após o assassinato de dois colonos israelenses em Gaza, em 2 de outubro.
Ao menos 625 palestinos e 175 isralenses foram mortos na nova Intifada, após o colapso das conversações de paz.
A morte de Hamad deve inflamar os ânimos na região e dificultar as medidas americanas para obter apoio aos ataques ao Afeganistão, pois um solução para a questão palestina é um das principais reivindicações dos países muçulmanos.
Sharon disse que Israel não deve ser sacrificado pelos EUA e que tomará todas as medidas para conter a revolta palestina. Seu porta-voz, Raanan Gissin, afirmou: ''Se não virmos a tomada de alguma medida contra esses terroristas e houver baixas, nós exerceremos nosso direito de autodefesa, exatamente como os EUA estão fazendo no Afeganistão''.
Para tentar amenizar os efeitos da ação de ontem, o governo israelense anunciou que planejava atenuar o bloqueio imposto à Cisjordânia e à faixa de Gaza, permitir o retorno de palestinos a seus postos de trabalho em Israel e retirar suas tropas de um bairro de Hebron. Não foram apresentadas datas, contudo.

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