Governo da Síria aumenta repressão contra opositores
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quinta-feira, 04 de agosto de 2011
Folhapress 
São Paulo - As autoridades sírias isolaram a cidade de Hamas ontem, interrompendo o fornecimento de energia elétrica, cortando linhas telefônicas e restringindo o acesso à internet, como continuidade da ação repressiva do regime de Bashar Assad a seus opositores.
A intensificação na campanha militar para encerrar a revolta contra o regime teve início no domingo, quando as forças do ditador sírio invadiram Hamas e deixaram ao menos 140 mortos na operação, de acordo com organizações de direitos humanos.
Ativistas expressaram preocupação quanto à piora das condições humanitárias no país, afirmando que medicamentos e alimentos, como pão, estavam em falta mesmo antes do aumento da repressão.
Segundo ativistas, as forças de segurança do ditador mataram ontem ao menos mais sete pessoas, em outras partes da Síria, que haviam saído em protesto após sessão noturna de orações pelo mês sagrado do Ramadã.
Hozan Ibrahim, membro de comitê que acompanha a onda de violência, disse que ao menos 30 pessoas podem ter sido mortas na cidade de Hama na quarta-feira. Um ativista que conseguiu escapar do local sitiado afirmou que as forças armadas que ocuparam o centro com tanques deixaram ao menos 45 civis mortos.
Os meios de comunicação estão cortados ou extremamente prejudicados há pelo menos dois dias. O fornecimento de energia elétrica funciona esporadicamente desde domingo.
Rami Abdul-Rahman, que comanda o Observatory for Human Rights em Londres, disse que cerca de mil famílias já fugiram de Hama nos últimos dois dias.
Caminho perigoso
O presidente sírio Bashar Assad conduz seu país e o Oriente Médio por ''um caminho perigoso'', advertiu ontem a Casa Branca, endurecendo um pouco mais o tom após a brutal repressão conduzida contra os opositores.
A Síria ''seria um lugar melhor'' sem Assad, declarou o porta-voz de Barack Obama, Jay Carney, acrescentando que muitas pessoas, na Síria e em outras partes do mundo, planejam um futuro sem o líder sírio.
Washington parece avançar em direção a uma primeira convocação para Assad deixar o poder, um passo que até agora resistiu a dar, e prepara uma nova rodada de sanções contra seu regime após a escalada de violência na cidade de Hama. ''Ficou muito claro em todo o mundo que as ações de Assad colocam a Síria e a região em um caminho muito perigoso'', disse Carney. ''Assad está de saída (...) todos devemos pensar sobre o dia depois de Assad, como já o fazem os 23 milhões de cidadãos na Síria'', acrescentou.


