Governo da Nicarágua põe Exército em estado de alerta
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quarta-feira, 27 de abril de 2005
Folhapress 
São Paulo - O Exército e a polícia da Nicarágua foram colocados em estado de alerta ontem para defender o presidente Enrique BolaÀos da crescente oposição ao seu governo, que enfrenta greve dos transportes e estudantil.
O Congresso e os líderes do movimento estudantil - responsáveis por violentos protestos nos últimos 20 dias em Manágua - aumentaram a pressão sobre o governo de BolaÀos. Preocupada, a OEA (Organização dos Estados Americanos) pediu ontem que a Constituição fosse respeitada.
Apesar desses novos desdobramentos, não está descartada a possibilidade de um diálogo do presidente com os opositores a partir de hoje. O Congresso deu apoio aos prefeitos de 96 cidades que na segunda-feira exigiram que o governo desse ''uma urgente resposta para a crise energética por que passa o país'', que é uma das origens do descontentamento dos estudantes e de outros setores da sociedade nicaraguense.
Outro que fator que vem contribuindo muito para a queda da popularidade de BolaÀos e o consequente aumento da oposição ao seu governo é o aumento nas tarifas de ônibus. Os prefeitos disseram que, se nada for feito, BolaÀos tem de renunciar. Os parlamentares não afirmaram se estão de acordo com a necessidade de o presidente deixar o cargo.
No comunicado, o Congresso pediu que BolaÀos voltasse a dialogar com as forças opositoras. O presidente abandonou as negociações depois que, segundo ele, os liberais e os sandinistas descumprirem acordos prévios.
Ontem, BolaÀos disse que não pretende renunciar, apesar das pressões. A decisão de colocar o Exército em alerta, tomada por BolaÀos, não tem precedentes nos últimos 15 anos, o que gera o temor de que o país retorne aos tempos de conflitos civis dos anos 80.
A determinação de envolver o Exército para preservar a ordem interna - que é responsabilidade da polícia - ocorreu após BolaÀos ter sido alvo de pedradas, anteontem, nos arredores da sede da Presidência, quando tentava conversar com líderes das manifestações. Seu filho foi atingido.


