Havana - O governo da Colômbia e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinaram ontem um histórico acordo de cessar-fogo e de desarmamento bilateral e definitivo, um passo crucial para o fim do conflito armado mais antigo da América.
"Hoje é um dia histórico para o nosso país. Depois de mais de 50 anos entre mortes, atentados e dor, colocamos um ponto final ao conflito armado com as Farc", disse o presidente Juan Manuel Santos, que desde que assumiu o poder em 2010 promove a paz com os guerrilheiros.
Santos, que presenciou a assinatura do acordo ao lado do líder máximo das Farc, Timoleón Jiménez, o Timochenko, com quem trocou um aperto de mãos, disse que o pacto alcançado "significa nem mais, nem menos, do que o fim das Farc como grupo armado". "Chegou a hora de vivermos sem guerra, de vivermos em um país com paz, de vivermos em um país com esperanças", afirmou o presidente, lembrando que os colombianos se acostumaram "a viver no conflito" por décadas.
Essa é a quarta tentativa de selar o fim do conflito com as Farc, guerrilha surgida de um levante camponês em 1964, depois de três fracassos: em 1984, com Belisario Betancur; e, em 1992 e 1999, com os presidentes César Gaviria e Andrés Pastrana, respectivamente. "Foram mais de 30 anos de tentativas de pôr um ponto final ao conflito com as Farc, e hoje demos o passo mais definitivo nessa direção", disse o presidente, em Havana. "Não apenas se acordou o fim dos confrontos, mas também se definiu o cronograma para que as Farc deixem as armas para sempre", enumerou em discurso em Havana, sede das negociações desde novembro de 2012. "Que este seja o último dia da guerra", afirmou Timochenko, líder da guerrilha desde 2011, sinalizando uma aliança entre a guerrilha e as Farc em "um prazo relativamente curto".

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