Governo chinês nega diálogo com separatistas taiwaneses
Associated Press
De Pequim
Apesar de pedidos do enviado especial norte-americano Richard Holbrooke para que Taiwan e China resolvam suas diferenças pacificamente, Pequim informou ontem que a China nunca negociaria com um partidário da independência da ilha.
Depois de uma conversa com o ministro de Relações Exteriores Tang Jiaxuan, Holbrooke disse que não apenas pediu aos dois governos rivais para que negociem, mas também repetiu o apoio dos Estados Unidos à posição de Pequim segundo a qual Taiwan e o restante do território chinês fazem parte de uma China.
O presidente chinês, Jiang Zemin, exigiu que Taiwan reconheça primeiro que é parte inseparável da China. Taiwan é um obstáculo ao desenvolvimento das relações sino-americanas. E Taiwan é um assunto interno da China, disse o presidente chinês ao receber Holbrooke, embaixador dos EUA nas Nações Unidas.
O Parlamento de Taiwan revogou ontem uma proibição de cinco décadas ao comércio direto, ao transporte e aos serviços postais com a China. Este foi o primeiro gesto concreto de boa vontade de Taiwan após as eleições presidenciais de sábado, vencidas pelo candidato da oposição, Chen Shui-bian, do Partido Democrático Progressista (DPP).
Um porta-voz do Parlamento disse que os vínculos diretos serão permitidos nas ilhas que rodeiam Taiwan (Quemoy, Matsu e Penghu) e nas cidades do outro lado do estreito, como Xiamen e Mawei.
A decisão de levantar a proibição foi aprovada em uma sessão normal do Parlamento, ainda dominado pelos deputados do Partido Nacionalista (Kuomintang), cujo candidato, Lien Chan, foi derrotado nas eleições.
Grande parte do comércio e dos investimentos entre Taiwan e a China é realizado por meio de Hong Kong. Os líderes empresariais de Taiwan elogiaram a medida como o primeiro passo para uma abertura mais ampla.
A Bolsa de Taiwan fechou ontem em alta de 5,5%, após ter perdido na segunda-feira 2,6%. O índice Taiex ganhou 468,43 pontos e estabeleceu-se no fechamento em 9.004,48.
O Partido Democrático Progressista, buscando acalmar a tensão criada com Pequim após sua vitória presidencial, está considerando mudar sua mais provocativa posição, a que defende a criação da República de Taiwan, informaram membros do partido.





