A Bolívia voltou a enfrentar uma forte onda de protestos e os confrontos entre manifestantes e o Exército e a polícia se intensificaram esta semana. O governo do general da reserva e ex-ditador Hugo Bánzer já ameaça decretar, mais uma vez, estado de sítio.
Ontem de manhã, a Coca-Cola anunciou o ‘‘fechamento preventivo’’ de suas operações na cidade de El Alto, por causa da agitação social, deixou pelo menos sete mortos e centenas de feridos.
O clima de violência social praticamente tomou conta de sete dos nove Departamentos (Estados) do país. Fontes consultadas pela Agência Estado indicaram que o presidente Bánzer corre o risco de perder o controle da situação, razão pela qual convocou para ontem uma reunião de emergência com as Forças Armadas.
A polícia e Exército vêm tentando, sem sucesso, desbloquear estradas que ligam a região oriental do país às cidades de La Paz e Oruro. Camponeses dessas localidades bloqueram estradas que ligam a capital aos Yungas (região amazônica da Bolívia) em apoio aos ‘‘cocaleros’’, os plantadores de coca. Governo e cocaleros tentaram chegar a um acordo mas ainda existem diferenças em duas das 13 reivindicações propostas. A mais delicada continua sendo a erradicação do plantio de coca. Os cocaleros querem ainda a renúncia de Bánzer.
As principais capitais do país já começam a sentir a falta de produtos de primeira necessidade e a enfrentar alta dos preços de produtos que vêm de outras regiões. Os professores decidiram decretar greve nas escolas públicas de Cochabamba, a terceira maior província da Bolívia, exigindo aumento de pelo menos 50% nos salários.
Em La Paz, o Comitê Cívico, entidade privada presidida por um político governista, organizou uma greve geral e vem exigindo uma série de medidas nebulosas e não explícitas por parte do governo. Os empresários de Santa Cruz e Cochabamba, por sua vez, têm manifestado apoio à decretação do estado de sítio, o segundo em menos de quatro meses.

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