Kiev, Ucrânia - O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, anunciou ontem um acordo político tendo em vista encerrar os violentos embates que deixaram ao menos 75 mortos desde terça-feira no país.
Yanukovich anunciou a realização de eleições ainda sem data definida, o retorno à Constituição de 2004 e a formação, em dez dias, de um governo interino de coalizão após confrontos na Praça da Independência forçarem o presidente a reunir-se com representantes europeus.
As medidas parecem levar em conta as primeiras reivindicações dos protestos nas ruas da capital, Kiev. Mas os repetidos embates violentos desgastaram os manifestantes de oposição, que agora exigem a renúncia de Yanukovich - e é difícil estimar, por ora, qual será a recepção popular do anúncio.
Não está claro, por exemplo, qual é a real influência dos líderes da oposição sobre a população que tomou a Praça da Independência em novembro passado, em repúdio à manobra política que aproximou a Ucrânia da Rússia, afastando-se da União Europeia.
Ecoavam por todo o centro da capital, ontem pela manhã, os gritos dos manifestantes, reunidos em torno de um palco na praça. A região estava tomada por barricadas, defendidas por jovens mascarados e armados com tacos de beisebol e escudos improvisados.
Laurent Fabius, chanceler francês, afirmou à agência de notícias Associated Press que "discutimos todos os assuntos durante as negociações. Isso foi feito em uma atmosfera extremamente difícil, porque havia dezenas de mortos e o país está à beira de uma guerra civil".

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