São Paulo- Incapaz de conter as manifestações da oposição, o governo ampliou o cerco contra a veiculação dos protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Ontem, a Guarda Revolucionária emitiu um alerta a blogueiros e mídia online exigindo que todo conteúdo que ''crie tensão'' seja eliminado de suas páginas na internet -refúgio dos centenas de milhares de opositores diante da expulsão dos jornalistas estrangeiros e do silêncio da mídia estatal sobre a crise política no país.
Segundo o comunicado, quem tentar burlar a nova regra será alvo de ''ações legais''. A Guarda Revolucionária é considerada o Exército ideológico do regime teocrático iraniano e responde apenas ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que declarou apoio ao resultado da eleição de sexta-feira passada.
Ontem, dezenas de milhares de partidários do candidato derrotado e ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi foram às ruas de Teerã, no quinto dia de protestos contra o resultado da eleição da última sexta-feira que reelegeu o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
O novo protesto visa manter a pressão no governo pela anulação da votação, que deu a reeleição ao presidente Ahmadinejad com cerca de 63% dos votos contra 34% de Mousavi.
Muitas pessoas, vestidas de preto e usando bandanas verdes -a cor do Islã e da campanha de Mousavi- no braço e na cabeça, se reuniram na praça Haft-e Tir e nas ruas ao redor. A maior parte dos manifestantes se manteve em silêncio e fazia o sinal da vitória.
Ao menos uma jovem segurava a foto de uma das sete pessoas mortas durante os protestos que ocorrem na capital iraniana desde que o resultado oficial da eleição foi anunciado, no último sábado.
Um professor universitário e um analista político, dois reformistas ligados ao candidato Mousavi, foram detidos ontem, informaram familiares e amigos. Hamid Reza Jalaipur, professor de Sociologia da Universidade de Teerã e membro da campanha do conservador moderado Mousavi, foi preso em sua residência. Said Laylaz, um economista e analista político, também foi detido em casa, segundo a família.

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