Governo ameaça punir embaixador
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Folhapress 
São Paulo - O regime sírio, que anteontem não se pronunciou sobre a deserção do embaixador Nawaf al Fares, declarou ontem que o alto funcionário ''não tem mais quaisquer ligações com a embaixada em Bagdá ou com o Ministério das Relações Exteriores''. O representante diplomático também postou um vídeo no Facebook em que apela ao Exército para que se volte contra ''os criminosos'' no governo.
Na mesma nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores sírio também afirmou que al Fares deveria enfrentar ''punições legais e disciplinares''.
Fares é o mais graduado funcionário do corpo governamental sírio a desertar e representa uma das mais pesadas baixas do regime em 16 meses de revolta popular.
Segundo organizações oposicionistas, e levantamentos das Nações Unidas, mais de 15 mil morreram, principalmente por conta da repressão das forças leais à Assad. A imprensa mundial tem dificuldades em verificar a acurácia desta cifra, já que o regime bloqueia a entrada de jornalistas estrangeiros no país.
O governo americano afirmou ontem que a deserção do embaixador da Síria no Iraque representa um ''novo sinal de desespero'' do regime de Bashar al Assad, que enfrenta cada vez mais dificuldade de manter seu círculo de apoio.
''Aqueles ao redor dele, tanto no círculo interno e mais amplamente entre os militares e a liderança governamental, estão começando a pensar melhor sobre as chances de Assad permanecer no poder (...) e fazendo a escolha de abandoná-lo em favor do povo sírio'', disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.
Novo massacre
Ativistas denunciaram ontem um novo massacre na Síria, em que pelo menos 200 pessoas teriam sido mortas pelas forças do regime na aldeia de Tremseh, na província de Hama.
Ontem, os números divergiam. O Observatório Sírio para Direitos Humanos, com sede em Londres, disse ter sido informado da morte de uma centena de pessoas, apesar de só ter a confirmação dos nomes de 30 vítimas. Outros grupos opositores, como o Conselho Revolucionário de Hama, sugeriram que o número de mortes poderia passar de 200.
Em comunicado, o grupo relatou que forças sírias atacaram a aldeia com tanques e helicópteros e cometeram ''execuções sumárias'', atirando na cabeça das vítimas, em sua maioria, civis. Muitos corpos teriam sido levados para a mesquita local. A televisão estatal síria, por sua vez, culpou os ''terroristas'' pelas mortes. Se confirmadas as mortes, esse será o pior massacre ocorrido no país desde o início dos confrontos, em março de 2011.


