O presidente albanês Sali Berisha, o primeiro-ministro Bashkim Fino e todos os partidos políticos pediram oficialmente ontem à Holanda, país-presidente semestral da União Européia, uma urgente intervenção militar na Albânia, ‘‘para devolver o País à ordem constitucional e salvaguardar a integridade da Albânia’’, segundo um comunicado conjunto lido pela televisão oficial em Tirana. O premier Fino informou que está em contato com a OTAN, a União Européia e o secretário geral da ONU, Kofi Annan, tentando obter socorro.
Ontem à noite, a tensão aumentou quando um carro de combate dos rebeldes tomou posição perto da sede do governo albanês. É a primeira vez que isto acontece em Tirana, uma cidade marcada pelo caos.
Os rebeldes que já dominam parte da Albânia alcançaram a Capital ontem e saquearam as armas da academia militar, durante a noite. O aeroporto local foi fechado. Três pessoas morreram baleadas e 50 ficaram feridas. Um menino de nove anos figura entre os mortos.
Na cidade de Shkoder, no Norte, que ainda não tinha sido atingida pela rebelião armada, oito pessoas foram mortas e mais de 80 feridas em conflitos, segundo a televisão. Das vítimas fatais, seis morreram baleadas ou em explosões de minas, conforme a prefeitura de Shkoder, a maior do Norte da Albânia e que fica 120 km de Tirana.
Entre as vítimas estão dois oficiais que tentaram defender o quartel onde se encontravam os habitantes que pretendiam saqueá-lo e roubar suas armas. Segundo a televisão oficial albanesa, todos os arsenais militares do Norte da Albânia foram saqueados. A rebelião avança sem obstáculos pelas cidades do Norte.
Enquanto isso, uma nova missão da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE, com sede em Viena) para a Albânia está prevista para hoje sob a direção do ex-chanceler austríaco Franz Vranitzky, que viajará via Bari (Itália) a bordo de um barco da Marinha italiana. Mas os líderes políticos dos 15 países que compõem a União Européia ‘‘descartam por enquanto uma intervenção militar’’ na Albânia, segundo fontes diplomáticas espanholas.
FugaSegundo se anunciou em Roma, os dois filhos do presidente albanês Sali Berisha, que fugiram de seu País, desembarcaram ontem no ferry boat italiano Palladio pouco depois das 22 horas (18 horas de Brasília), dirigindo-se a um local não revelado da região sudeste, informou a agência italiana Agi.
Argita, 19 anos, e Sokul, 25 anos, desembarcaram do ferry que atracou em Bari (sudeste da Itália) proveniente de Durres (noroeste da Albânia), ontem à noite, partindo em um ônibus escoltado pela polícia italiana, informou a agência. A polícia italiana impediu com barreiras no cais que a imprensa se aproximasse do Palladio.
Segundo um passageiro, os filhos do presidente viajavam acompanhados de guarda-costas ‘‘armados até os dentes’’. O ferry boat deixou precipitadamente o porto albanês de Durres quinta-feira pela manhã, quando, segundo o capitão, uma ‘‘maré humana de pessoas indignadas e armadas de pedras’’ atacaram o porto.
TemorA Itália está vivendo horas dramáticas devido à possível chegada de centenas de refugiados albaneses. ‘‘É uma verdadeira fuga, a situação é muito séria’’ comentou o comandante da Marinha Militar italiana, Giorgio Lolli, da Capitania dos Portos de Bari e Brindisi, os dois maiores portos da Costa Adriática, que separa a Itália e a Albânia por apenas 60 quilômetros.
O ministro do Interior italiano, Giorgio Napolitano declarou ontem que seu País está preocupado com a crise na Albânia, mas disse que vai negar asilo político aos albaneses, para ‘‘evitar um fluxo caótico para a Itália’’.

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