Gorée, um dos pontos principais do tráfico durante três séculos
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de agosto de 2001
France Presse<BR>De Gorre, Senegal 
Gorée, uma pequena ilha na costa de Dacar, passou à história como um dos principais locais do tráfico de negros durante três séculos.
Deve esse papel à sua situação geográfica no extremo ocidental da África, mais perto da América, e sobretudo por sua enseada, que permitia a atracação de navios procedentes da Europa.
Porto de escala, Gorée conserva como relíquias os estigmas de seu passado ignominioso, entre eles a Casa dos Escravos, um dos símbolos mais conhecidos.
O curador da Casa, Joseph Ndiaye, descreve apaixonadamente aos visitantes os sofrimentos dos negros sequestrados e acorrentados como gado nas celas úmidas, à espera de uma ''viagem sem regresso'' às Antilhas e à América.
A Casa dos Escravos, um vetusto edifício amarelado, é apenas uma das numerosas provas da escravidão na ilha, ocupada sucessivamente por portugueses, holandeses, ingleses e franceses durante os três últimos séculos.
Segundo os historiadores, milhares de escravos negros passaram por Gorée, visitada anualmente por milhares de negros americanos.
A ilha, que hoje vive ao ritmo de Dacar, também é célebre pela arquitetura herdada da ocupação européia.
Construídas sobre um maciço de basalto, as velhas casas de Gorée, em geral pintadas de ocre, com suas varandas em colunas, os pátios internos e as escadarias de ferro, refletem a riqueza arquitetônica da ilha.
Esse lugar histórico faz parte desde 1978 do patrimônio histórico da Humanidade decretado pela Unesco, embora os prédios e suas infra-estruturas estejam em estado avançado de deterioração devido à passagem do tempo e aos efeitos da erosão marinha.
Em janeiro passado, o governo senegalês decidiu criar um fundo de solidaridade nacional para sua reforma, buscando patrocinadores para a restauração dos numerosos edifícios que têm entre um e dois séculos de idade.
No começo do ano 2000 foi contruído em Gorée um memorial da escravidão, uma réplica do majestoso monumento que será construído às margens do mar, na costa de Dacar.
Esse memorial é o ''símbolo da degradação do homem pelo homem'' e também do ''perdão que pode nos reconciliar uns com os outros, mesmo quando o crime parece impossível de ser perdoado'', segundo o ex-presidente senegalês Abdu Diuf.
A I Conferência da ONU contra o racismo e a discriminação será realizada em Durban na áfrica do Sul, com início previsto para o dia 31, sexta-feira, continuando até 7 de setembro.


