Gore tenta sua última cartada
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
O vice-presidente Albert Gore jogará, amanhã pela manhã, sua última cartada para reverter o resultado e impedir a eleição do rival republicano, o governador do Texas, George W. Bush, para a Casa Branca.
Derrotado nas urnas na Flórida por 537 votos num total de mais de mais de 6 milhões e na Justiça estadual, que na segunda-feira rejeitou como improcedente sua tentativa de contestar a vitória de Bush, Gore depende agora dos sete juízes da Suprema Corte da Flórida para salvar seu sonho de chegar à presidência.
Embora tenha batido Bush na eleição popular nacional por uma diferença de mais de 300 mil votos, em mais de 100 milhões, sem os 25 votos da Flórida no Colégio Eleitoral, que define a disputa, ele perde o pleito por quatro votos, ou 271 a 267.
O Supremo da Flórida ouvirá os argumentos dos advogados dos dois candidatos durante uma hora, hoje cedo, antes de decidir se aceita o recurso que o vice-presidente apresentou na segunda-feira.
Chris Lehane, o porta-voz de Gore, disse que ele está decidido, determinado e concentrado nessa derradeira batalha depois de uma desgastante guerra eleitoral que já se arrasta há um mês e revelou problemas insuspeitados, típicos de países atrasados, no sistema de votação dos Estados Unidos.
Bush recebeu ontem sua primeira informação do serviço de inteligência, e continuou a preparar a escolha de seus futuros ministros.
Os democratas continuaram a esperar pelo melhor e preparar-se para a inevitabilidade do pior. O senador Joseph Lieberman, candidato a vice na chapa democrata, mostrou-se esperançoso numa reversão da veredicto do juiz N. Saunders Sauls. Mas o próprio Lieberman começou a preparar ontem o terreno para a aceitação da derrota. Terminemos isso da melhor maneira possível, de uma maneira que dê legitimidade e credibilidade ao nosso próximo presidente, disse ele.
Entre os democratas, o veredicto de Sauls e a decisão da Suprema Corte dos EUA de suspender e pedir esclarecimentos ao Supremo da Flórida sobre sua ordem do dia 21 de novembro que alterou o prazo para a certificação do resultado, provocaram as primeiras rachaduras na fachada de unidade e apoio a Gore.
Em tese, Gore pode ainda tirar um outro coelho da cartola. Hoje, um tribunal próximo da Suprema Corte estadual, em Talahassee, começará a ouvir os argumentos de um dos dois processos nos quais eleitores democratas pedem a impugnação de cerca de 15 mil votos por correspondência no distrito de Seminole, a maioria dados a Bush.


