Gore quer impugnar resultado da Flórida
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terça-feira, 28 de novembro de 2000
France Presse De Tallahassee 
Advogados do candidato democrata Al Gore apresentaram ontem uma apelação judicial contra os resultados oficiais da eleição presidencial no Estado da Flórida. O advogado de Gore, Dexter Douglas, apresentou a apelação na corte do circuito do condado de Leon depois das 12h15 locais (15h15 Brasília). O resultado oficial apontou Bush como vencedor com 537 votos de diferença, de um total de seis milhões de eleitores.
Ao ganhar os 25 grandes eleitores da Flórida, George W. Bush conquista a maioria dos 271 delegados para ser eleito o 43º presidente dos Estados Unidos.
A demanda inclui uma denúncia e várias moções. Na denúncia, o grupo de Gore diz que os resultados certificados das eleições estão simplesmente errados. Esta é uma ação para apelar do certificado de que George W. Bush e Richard Cheney receberam mais votos na eleição presidencial no Estado da Flórida do que Al Gore e Joe Lieberman, disse Douglas em uma declaração escrita.
No total dos votos registrados na comissão eleitoral de certificado de 26 de novembro de 2000 incluem votos ilegais e não incluem votos legais que foram rejeitados impropriamente. O número desse tipo de voto é mais do que suficiente para semear a dúvida, e com efeito mudar os resultados da eleição, acrescentou o advogado.
O grupo de Gore impugnou a recontagem de votos em três condados da Flórida: Miami-Dade, Nassau e Palm Beach.
Gore afirmou ontem que a integridade da democracia americana está em jogo na disputada eleição presidencial, e que sua impugnação dos resultados eleitorais na Flórida visa a garantir a credibilidade dos EUA.
A integridade da nossa democracia depende do consentimento do eleitorado, que se expressa livremente numa eleição na qual todos os votos são contados, disse Gore. Esse é o princípio que apresentamos aqui, afirmou o presidente na conferência de imprensa.
Os assessores de Gore disseram que milhares de votos em três condados da Flórida não foram contabilizados, foram mal contados ou incorretamente certificados.
No processo, Gore disse que teria tido uma vantagem de 1.025 votos se tivesse completado e certificado uma recontagem manual.
Al Gore poderia basear seus argumentos de vitória no fato de ter vencido no voto popular dos norte-americanos, com 300 mil votos de diferença dentro de um universo de 100 milhões de eleitores que foram às urnas nessa eleição, segundo um conselheiro.
Além disso, se levarmnos em conta os votos que foram deixados de lado na Flórida, (Gore) venceria nesse estado, disse, referindo-se aos mais de 10 mil votos, que segundo a equipe de Gore, jamais foram contados por máquinas ou manualmente.
Em uma entrevista ao The New York Times, Al Gore insistiu no fato que nenhum democrata pediu que ele abandonasse a luta e que inclusive grandes personagens republicanos, que ele não identificou, têm lhe apoiado.
Também prometeu que, se for eleito, irá convidar vários republicanos a integrarem o seu governo.
Bush assumiu seu papel como presidente eleito dos Estados Unidos e começou a preparar ontem a transição do poder. Bush deve manter a cautela, entretanto, já que sua vantagem sobre o democrata Al Gore é de apenas algumas centenas de votos na Flórida e o resultado ainda pode mudar, se os recursos judiciais em curso forem considerados.
No domingo à noite, Bush comemorou sua vitória e assumiu a postura de presidente eleito, embora o anúncio oficial ainda não tenha sido feito.
O governador do Texas não perdeu tempo e se dirigiu, ontem pela manhã, para a sede governamental de Austin para começar a articular a transição do poder, até 20 de janeiro, quando em tese o novo presidente americano assume.
Bush se reuniu com Andrew Card, um ex-secretário de Transporte, anunciado no domingo como secretário-geral da Casa Branca, o principal colaborador administrativo do presidente. O tempo urge. Temos muito trabalho por fazer, declarou Bush durante uma entrevista na TV.


