Gore apóia rebeldes e provoca reação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Luis Torres de la Llosa France Presse 
Os Estados Unidos utilizaram o foro de Cooperação econômica Ásia-Pacífico (Apec) para manifestar seu respaldo político aos movimentos de oposição que buscam a queda do primeiro-ministro da Malásia, Mahatir Mohamad, suscitando uma onda de indignação entre os líderes asiáticos. Os comentários do vice-presidente Al Gore em Kuala Lumpur, que durante um discurso para empresários asiáticos lançou um apelo à Reformasi - o slogan da oposição malaia e indonésia -, foi a gota que entornou o copo.
Não podemos aceitar iniciativas para derrubar pela força governos eleitos, através do incentivo a movimentos de massa ou manifestações, disse Mahatir, citado por seu colega japonês Keizo Obuchi.
Segundo Mahatir, é lamentável que gente em países distantes escute o que diz uma só parte e não o que diz a outra.
Foi o discurso mais repugnante que já escutei, declarou por sua parte a ministra malaia de Comércio, Rafidah Aziz.
A Chancelaria malaia publicou por sua vez um comunicado em que adverte que considerará os Estados Unidos como responsáveis por qualquer rompimento da harmonia da Malásia, onde coexistem diferentes grupos étnicos, resultantes dessa incitação irresponsável. À reprovação oficial malaia seguiram-se expressões de repúdio da maioria dos países asiáticos, embora com diferentes matizes. O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Jenny Shipley, país aliado tradicional dos Estados Unidos, mas geralmente franco em seus comentários, criticou Gore, ao lamentar a diplomacia do megafone utilizada por Washington.
A insegurança econômica é a chave desta cúpula, não devemos mudar de assunto, advertiu Shipley.
Com seu costumeiro estilo mais reservado, o Japão expressou uma crítica velada, ao afirmar que as declarações de Gore foram impróprias.
A Casa Branca não fez nada para aparar as arestas e reafirmou, através de seu porta-voz, que as declarações de Gore refletem a posição do Governo de Bill Clinton, que não participa na cúpula da Apec, devido à crise iraquiana.
Na verdade, a politização pelos Estados Unidos de um foro dedicado exclusivamente a questões econômicas começou antes mesmo da chegada de Gore a território malaio. A secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, presente durante as reuniões preparatórias da cúpula, passou quase todo tempo fazendo campanha pelo ataque ao Iraque.


