Os homens armados que tentaram dar um golpe de Estado esta sexta-feira nas ilhas Fiji libertaram 20 funcionários do Parlamento, ontem, entre os quais não havia nenhum político, de acordo com informações da televisão estatal.
O primeiro-ministro indiano de Fiji, Mahendra Chaudhry, que é um dos reféns, sofreu um colapso, segundo informações do presidente do Partido Trabalhista, Jokapeci Koroi, também refém. Segundo Koroi, ambulâncias civis chegaram à entrada do recinto do Parlamento, mas tiveram de partir depois que os homens armados exigiram uma equipe médica militar em seu lugar.
O golpe de Estado que derrubou o primeiro-ministro Mahendra Chaudhry ‘‘em nome da população autóctone de Fiji’’ é o acontecimento mais recente de uma prolongada saga étnica que ameaça dividir em dois este Estado do Pacífico.
Além do primeiro-ministro, o grupo de civis armados sequestrou membros de seu gabinete, depois de invadir o Parlamento. ‘‘Demos um golpe de Estado civil em nome do povo autóctone de Fiji’’, afirmou o líder da ação, George Speight, filho do parlamentar de oposição Sam Speight.
Quarenta e três por cento dos 800 mil habitantes das Ilhas Fiji são de origem indiana, descendentes de operários levados pelos britânicos no fim do século XIX para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar.
Os nativos das ilhas, cujo grupo étnico compõe a metade da população, sempre temeram o domínio dos indianos em Fiji, principalmente devido ao fato destes últimos controlarem a indústria da cana-de-açúcar, vital para a economia.

mockup