Bancoc- Ontem, um dia depois do golpe de Estado sem derramamento de sangue, os militares agora no poder em Bancoc parecem ter ampliado seu domínio a toda a Tailândia, comprometendo-se a respeitar um cronograma para um retorno à democracia.
O país não sofria um golpe de Estado há 15 anos, e o afastamento repentino do primeiro-ministro Thaksin Shinawatra surpreendeu os tailandeses. Mesmo os que não gostavam mais dele não esperavam a volta dos tanques e blindados às ruas e oficiais discursando em suas telas de televisão.
O Conselho Militar, liderado pelo general Sonthi Boonyaratglin, o primeiro muçulmano a dirigir o exército na Tailândia, um país de maioria budista, afirmou contar com o apoio do venerado rei Bhumibol Adulyadej.
''Para manter a ordem e a paz na nação, o rei Bhumibol Adulyadej nomeou Sonthi Boonyaratglin ao posto de dirigente do Conselho Militar para a Reforma Política'', afirmou em comunicado e lido pela televisão estatal.
O general Boonyaratglin também lançou um apelo à calma e ordenou aos funcionários que sigam suas instruções. Qualquer reunião de mais de cinco pessoas foi proibida. Os golpistas também fecharam as fronteiras da Tailândia com o Laos e o Mianmar.
Os autores do golpe também impuseram um controle sobre os meios de comunicação nacionais e internacionais. O ministério da Comunicação tem agora o poder de impedir a divulgação de qualquer informação prejudicial às novas autoridades. A associação de defesa das liberdades da imprensa Repórteres Sem Fronteiras (RSF) se declarou preocupada com um eventual retorno à censura no país.
As medidas de controle foram acompanhadas, no entanto, por promessas de um retorno à democracia. ''Uma Constituição provisória será preparada daqui a duas semanas e, enquanto isso, uma nova assembléia nacional será designada, assim como um novo primeiro-ministro'', disse o general Boonyaratglin em entrevista coletiva.
''Eu renunciarei como primeiro-ministro interino daqui a duas semanas. Estamos agora procurando a pessoa que se tornará o novo primeiro-ministro'', afirmou.
O general destacou que o governo nomeado pelos militares será encarregado de preparar uma nova Constituição que sentará as bases das próximas eleições gerais. ''Esperamos que a próxima eleição geral aconteça em outubro do ano que vem'', acrescentou o general de 59 anos.

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