Golpista recebe apoio interno no Paquistão
Associated Press
De Islamabad
O golpe militar que derrubou o governo eleito do Paquistão representa uma pequena mudança para milhões de paquistaneses. Mas a perspectiva de um país governado por militares com armas nucleares provoca grandes preocupações no exterior principalmente na Índia. Governos e instituições financeiras ocidentais alertaram Islamabad para a necessidade de restauração da democracia.
A Índia colocou suas Forças Armadas em alto alerta depois que o general Pervaiz Musharraf tomou o poder na terça-feira, depois de um ressentimento que foi amadurecendo. O governo foi acusado de recuar no conflito com a Índia sobre a disputada região fronteiriça da Caxemira.
Mas um porta-voz do exército paquistanês, que classificou as preocupações da Índia de ridículas, acusou seu vizinho nuclear de alimentar uma histeria mundial. A Índia e o Paquistão, que promoveram testes nucleares competitivos no ano passado, já travaram três guerras, duas delas por causa da Caxemira nos últimos 50 anos.
O porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon, buscou diminuir as preocupações com o programa de armas nucleares do Paquistão, dizendo que o golpe não mudou a situação desde que o controle do programa de armas sempre esteve nas mãos dos militares.
Desde que liderou o golpe na terça-feira e colocou o afastado primeiro-ministro Nawaz Sharif em prisão domiciliar, Musharraf ainda não deu pistas sobre seus planos. O golpe ocorreu uma hora depois que Sharif demitiu Musharraf do cargo de comandante das Forças Armadas.
Tropas saíram rapidamente às ruas nas principais cidades. Muitos paquistaneses dançaram nas ruas e agitaram bandeiras, celebrando a derrubada de um primeiro-ministro que era cada vez mais impopular por causa da deterioração da economia.
Num discurso à nação ontem, Musharraf acusou o governo de Sharif de destruir sistematicamente instituições do Estado e levar a economia para o colapso. Não ficou claro se ele irá respeitar a constituição, que determina a realização de eleições dentro de três meses depois do afastamento de um governo do poder, se irá indicar uma administração interina de tecnocratas ou se assumirá o poder.
Sharif vinha sendo acusado de tentar consolidar seu poder enfraquecendo instituições, como o judiciário e governos provinciais. Ele também era acusado de usar táticas truculentas contra a oposição.
Os militares têm governado o Paquistão por 25 anos de seus 52 anos de existência. O último ditador militar, general Mohammed Zia-ul Haq, governou por 11 anos com mão de ferro. Sua morte, em 1988, abriu caminho para o retorno da democracia.





