Arthur Max
Associated Press
De Islamabad
O líder do golpe no Paquistão dava ontem os últimos retoques em sua agenda para colocar ordem no caos político do país através de uma ‘‘estrutura interina’’, e buscou a tolerância internacional para seu regime militar.
O chefe do exército, general Pervaiz Musharraf, reuniu-se com seus principais comandantes para discutir ‘‘o estabelecimento de uma eficiente e imparcial estrutura interina’’. Ele também conversou com o embaixador dos Estados Unidos e planejava revelar seu programa num pronunciamento à nação hoje, segundo um comunicado do exército.
Três dias depois de Musharraf ter derrubado o governo eleito, era palpável entre paquistaneses nas ruas uma esperança de que anos de domínio de políticos corruptos estavam chegando ao fim e que os problemas estruturais do pobre e amplamente analfabeto país seriam enfrentados.
Detalhes do governo de transição não foram divulgados. O comunicado também não fez menção de quanto tempo ele irá durar ou se o retorno de procedimentos democráticos era um de seus objetivos.
Mas a referência a uma estrutura ‘‘imparcial’’ implica que Musharraf transferirá a administração do país a tecnocratas apolíticos por um período que pode durar vários anos.
O embaixador americano, William Milam, entregou a Musharraf uma mensagem do presidente Bill Clinton, dando conta que os Estados Unidos querem um rápido retorno ao regime civil e democrático, disse um porta-voz da embaixada.
Analistas consideraram que Washington deveria deixar de lado sua cartilha exigindo eleições e permitir que os militares tenham uma chance de colocar a casa paquistanesa em ordem.
Pouco depois da meia-noite desta sexta-feira (horário local), Musharraf declarou um estado de emergência e se autonomeou chefe do Executivo. Ele também suspendeu a constituição e dissolveu a assembléia federal e legislativos provinciais.
O Banco Central do Paquistão anunciou que estava congelando as contas do deposto primeiro-ministro Nawaz Sharif, de todos os legisladores do país, e de suas esposas. O genro de Sharif foi preso ontem e agentes da inteligência apreenderam documentos sobre negócios da família.
Hafeez Pirzada, um especialista em direito constitucional, disse que existem ‘‘indicações’’ de que o deposto primeiro-ministro será acusado de traição, um crime que pode ser punido com pena de morte. Entretanto, ele não entrou em detalhes.

mockup