Nova York - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou hoje (20) logo cedo a posição do Brasil sobre a globalização, ao dizer com todas as letras que as regras do sistema financeiro internacional ''devem permitir aos países em desenvolvimento a necessária margem de autonomia para que construam suas infra-estruturas e apliquem políticas industriais e tecnológicas próprias. ''As nações em desenvolvimento precisam ''tomar as rédeas da globalização'', afirmou o presidente.
Lula criticou as cláusulas comerciais protecionistas dos países ricos e disse que ''o sistema financeiro internacional deve contribuir para o crescimento da produção e a melhor distribuição de renda em nível mundial''. Mas sublinhou o limite que seu governo tem procurado marcar em temas de integração econômica ao reafirmar a importância da preservação de um grau de autonomia que nações como o Brasil precisam ter em três setores estratégicos: a construção da infraestrutura, e a aplicação ''de políticas industriais e tecnológicas próprias''. Essas posições estiveram no centro das divergências que o Brasil teve com os Estados Unidos na negociação do acordo para a criação da Área de Livre Comércio das Américas.
Durante a discussão sobre a dimensão social da globalização, que contou com as presenças de Chirac, Halonen e do presidente da Tanzânia, Benjamim William Mkapa, Lula disse que ''a suposta racionalidade da globalização não satisfaz os intersses das maiorias''. Ele afirmou também que é preciso ''globalizar os valores da democracia, do desenvolvimento e da justiça social para dar resposta ao preocupante déficit de governnança mundial''.

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