Globalização aumenta risco de propagação
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quinta-feira, 01 de dezembro de 2005
France Presse 
Genebra - A globalização é um fator de propagação do vírus da Aids devido aos deslocamentos populacionais mais frequentes e à marginalização dos mais pobres, destacou um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado ontem.
O estudo sobre o ''HIV/Aids no centro de trabalho em um meio ambiente globalizado'' reforça que algumas profissões apresentam riscos mais elevados. ''Devido a seus frequentes deslocamentos, algumas pessoas ficam muito mais expostas'', explicou a autora do estudo, Odile Frank.
Os cerca de 12,3 milhões de pessoas forçadas a trabalhar, das quais 2,5 milhões são vítimas de traficantes, estão entre as mais ameaçadas: visto que entre estes 2,5 milhões, mais de 40% sofrem alguma exploração sexual.
Segundo o estudo, três categorias estão mais expostas: os trabalhadores do setor dos transportes, muitas vezes distantes de suas famílias e de seu meio social, funcionários do turismo e da hotelaria o turismo sexual é um vetor de propagação do vírus e as pessoas que buscam trabalho, que muitas vezes vivem em condições difíceis.
De forma geral, as pessoas mais expostas são os jovens adultos, especialmente as mulheres, que não têm trabalho ou só contam com um emprego precário.
''A globalização, que exclui certas categorias sociais e certos países, incide sobre a epidemia'', afirma Odile Frank.
O estudo da OIT mostra que o vínculo entre a pobreza e a Aids é um círculo vicioso: os investimentos estrangeiros diminuíram em todos os países africanos afetados pela epidemia.
''A globalização causou a marginalização de certos países e, na medida em que são excluídos, existe o risco de que a epidemia não possa ser controlada'', reforça a especialista da OIT.
Para o diretor-geral da OIT, o chileno Juan Somavia, ''o centro de trabalho deve ter um papel estratégico na luta contra o HIV/Aids''.
''É uma luta contra os estragos da doença, mas também contra as discriminações, a intolerância, os preconceitos e o medo'', explicou Somavia em uma declaração por ocasião do Dia Mundial de Combate à Aids.


